Bruno Gonçalves
Member of the European Parliament · S&D · PT
“Senhora Presidente, Senhor Comissário, oito horas por dia de uso de ecrã, sintomas generalizados de ansiedade. Esta não é uma exceção: é a realidade com que os nossos jovens se confrontam. Mas ainda mais preocupante é quando o conteúdo online mata. E as mortes não são números, as mortes são vidas reais.”
“Quando um jovem chega ao ponto de tirar a sua própria vida, na ruína financeira e no desespero psicológico, não é apenas uma questão individual, é uma falha de regulação, é uma falha de proteção e é, sobretudo, uma falha política. Por isso, gostava de lhe perguntar: quantas mais histórias são necessárias para agirmos?”
“Senhora Presidente, Senhor Comissário, Conselho ausente, hoje, o maior destino dos jovens europeus que procuram oportunidades não é a América, não é a Ásia — são outros países da própria União Europeia. Isto prova algo muito simples: é que o mercado único europeu já é hoje a nossa maior força.”
“Primeiro, através da tributação, simplificando a vida às empresas que querem crescer e inovar na Europa, mas garantindo também que o 1 % que mais ganha contribui, pelo menos, tanto quanto os restantes 99 %.”
“Senhora Presidente, o seu telemóvel acaba de vibrar. Lá, encontra uma mensagem com um número desconhecido: é o seu filho com um áudio claro. Ficou sem bateria, está a caminho de casa, mas não tem como pagar o comboio. Voluntariamente, envia para este contacto o montante equivalente ao bilhete de regresso.”
“Na indústria, o custo médio de cada um destes ataques situa-se nos 5 milhões de euros. No total, são mais 22 % de ataques face ao ano anterior. Por isso, não, não basta regular. É urgente termos soberania digital europeia, termos empresas europeias, mas controlarmos o código que aqui também se faz.”
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“Quando um jovem chega ao ponto de tirar a sua própria vida, na ruína financeira e no desespero psicológico, não é apenas uma questão individual, é uma falha de regulação, é uma falha de proteção e é, sobretudo, uma falha política. Por isso, gostava de lhe perguntar: quantas mais histórias são necessárias para agirmos? Quantas mais Ineses são necessárias para agirmos coletivamente? É isso que pergunto. (a Presidente retira a palavra ao orador) 3-0136-0000”
“Senhora Presidente, Senhor Comissário, oito horas por dia de uso de ecrã, sintomas generalizados de ansiedade. Esta não é uma exceção: é a realidade com que os nossos jovens se confrontam. Mas ainda mais preocupante é quando o conteúdo online mata. E as mortes não são números, as mortes são vidas reais. Um jovem em Portugal perdeu o controlo do jogo online, acumulou dezenas de milhares de euros em dívidas e acabou por tirar a própria vida. A sua namorada, Inês, fala hoje publicamente para impedir que isto volte a acontecer. Este não é um caso isolado. É o resultado de um sistema que normaliza o jogo, que o transforma em entretenimento e que o coloca à distância de um clique, muitas vezes promovido por influências e por publicidade constante nas redes sociais.”
“Primeiro, através da tributação, simplificando a vida às empresas que querem crescer e inovar na Europa, mas garantindo também que o 1 % que mais ganha contribui, pelo menos, tanto quanto os restantes 99 %. E, em segundo lugar, defendendo o nosso mercado interno, com uma política industrial europeia forte e com regras claras para limitar o investimento estrangeiro em setores críticos. Porque uma Europa forte não é uma Europa onde os jovens são destinados a partir. Uma Europa forte é uma Europa onde os jovens podem escolher ficar. 3-0064-0000”
“Senhora Presidente, Senhor Comissário, Conselho ausente, hoje, o maior destino dos jovens europeus que procuram oportunidades não é a América, não é a Ásia — são outros países da própria União Europeia. Isto prova algo muito simples: é que o mercado único europeu já é hoje a nossa maior força. Mas revela também um desafio e um problema: é que para muitos destes jovens sair do seu país deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade. E isso acontece porque ainda temos demasiadas desigualdades económicas dentro da nossa União. Se conseguirmos harmonizar melhor o mercado único, podemos transformá-lo num mercado de oportunidades mais justo, onde a mobilidade é uma possibilidade e não é uma obrigação. Um espaço que crie empregos qualificados não apenas nos países mais ricos, mas nos países de origem. E como é que podemos fazer isso?”
“Na indústria, o custo médio de cada um destes ataques situa-se nos 5 milhões de euros. No total, são mais 22 % de ataques face ao ano anterior. Por isso, não, não basta regular. É urgente termos soberania digital europeia, termos empresas europeias, mas controlarmos o código que aqui também se faz. E, para isso, Senhora Comissária, é hora de aumentar o investimento na capacidade operacional para garantir que a regulação é mesmo sinónimo de proteção. 2-0070-0000”
“Senhora Presidente, o seu telemóvel acaba de vibrar. Lá, encontra uma mensagem com um número desconhecido: é o seu filho com um áudio claro. Ficou sem bateria, está a caminho de casa, mas não tem como pagar o comboio. Voluntariamente, envia para este contacto o montante equivalente ao bilhete de regresso. Só que este não era o seu filho — era um agente sofisticado de inteligência artificial que acabava de servir os propósitos de uma equipa de burlões. Hoje, os ataques cibernéticos não atacam apenas os mais velhos. São cada vez mais eficazes entre o público digitalmente preparado. No último ano, na União Europeia, o sucesso do cibercrime por phishing subiu de 12 % para 54 %, quando comparamos ataques tradicionais com ataques auxiliados por inteligência artificial.”
“Esta é, sim, Senhora von der Leyen, senhora presidente da Comissão, a Europa guardiã do Direito Internacional, onde conta a força da lei contra a lei da força. Haja, por isso, coragem para avançar. Porque apesar das diferenças do nosso passado, partilhamos ambição e partilhamos futuro. Somos 27 países e 450 milhões de pessoas, Senhor Comissário, temos de ser muito mais do que figurantes. 2-0580-0000”
“Senhora Presidente, Senhor Comissário, política externa não é estender a passadeira vermelha quando os nossos parceiros violam o direito internacional por reservas de petróleo. A Europa pode e deve ser mais do que figurante nas guerras de Donald Trump que ameaçam as vidas europeias. Aceitar esse papel seria, aliás, deixar de estar à mesa e passar a estar no menu. Durante décadas, habituámo‑nos a um conforto estratégico: a proteção americana. Mas conforto não é estratégia e dependência não é soberania. Este é o momento para assumirmos a defesa coletiva. Com mais investimento e integração do mercado de defesa, mas não só. É hora de avançar com um projeto sólido e que não se deixa ameaçar nem diminuir. Faz hoje sentido que possamos depender mais dos nossos parceiros do outro lado do Atlântico para nossa proteção do que de nós próprios?”
“E esse quartel é um mercado único que sabe capitalizar a inovação, recuperar capacidade industrial e aprofundar o seu próprio mercado, não como instrumento global de concorrência, mas como garantia única da nossa sobrevivência. A nossa competitividade não pode ser refém nem da tecnologia americana, nem de energia russa ou de manufatura chinesa, mas a fábula da independência total é, também ela, uma própria fábula. Falhar neste momento não é, como têm dito, só ficar para trás; é acabar com a história do único projeto de paz. 3-0101-0000”
“Senhora Presidente, caro Comissário, há 80 anos, num continente dividido e fustigado pela guerra, os fundadores do projeto europeu alcançaram o que séculos de reinados não puderam concretizar: uma união para a paz através da integração das nossas economias. Mas a paz, essa, exige mais do que cooperação, exige coragem e exige visão. Entendeu-o Mario Draghi quando salvou o euro perante a ameaça da desintegração e assim o fizemos todos durante uma pandemia onde cooperação sanitária foi sinónimo de salvação. Mas essa paz não é uma conquista imutável; é aliás, como a liberdade, uma luta permanente e requer, como em qualquer guerra, um forte quartel.”
“Senhores Deputados, aquilo que se pede é ação e dignidade. Aquilo que se exige é que façamos dos nossos valores não apenas a nossa palavra, mas também a nossa ação. O reconhecimento dos direitos humanos não pode acontecer aqui apenas no papel - e é por isso que eu apelo aos países de origem, aos Governos de Portugal e da Bélgica, às instituições europeias, para que reforcem o seu trabalho diplomático na defesa deste cidadão. Apelo também a todos nós, a todos os deputados, ao Parlamento Europeu, para que sejamos ágeis e decididos, tanto a organizar uma missão diplomática, como a considerar ações sancionatórias, caso a República Centro‑Africana não contribua para a liberdade deste cidadão. Caros colegas, a liberdade não tem preço, mas tem pressa. 3-0496-0000”
“Senhora Presidente, Senhora Comissária, caros colegas, Joseph Figueira Martin é um cidadão português e belga, é um cidadão europeu e é um trabalhador numa organização não governamental de apoio humanitário na República Centro‑Africana. Foi nesse país que foi capturado, sequestrado, raptado pelos mercenários do Grupo Wagner, os mesmos que colaboram com Vladimir Putin, e que entregaram Joseph às autoridades locais. E, como se não bastasse uma detenção arbitrária, feita à margem da lei, e a tortura de três dias, seguiram‑se acusações falsas e fabricadas. O resultado é um compatriota nosso preso, longe da sua família, condenado a dez anos de trabalhos forçados. A sua condição física deteriora-se a cada dia, e é impossibilitado inclusive de falar, de comunicar com o seu filho, que tem menos de dois anos.”
“Não se trata de promover comércio livre por defeito, mas, sim, de criar parcerias estratégicas que promovam a resiliência económica e interesses partilhados e sejam benéficas para ambas as partes. Num contexto marcado por tensão geopolítica, este é o tipo de relação que a Europa deve cultivar, construindo pontes, multilateralismo e a paz. O que não podemos é ficar reféns da velha ordem internacional, que já não existe, nem de um velho clube que agora se chama «de paz», mas continua a ser um velho clube de amigos. Caros colegas, Deputados, não viramos as costas aos nossos aliados, mas também nunca esperemos que eles no‑las virem a nós. 3-0355-0000”
“Senhora Presidente, High Representative, Speaker, enquanto Donald Trump desperdiça o capital político dos Estados Unidos da América com chantagens e ameaças, a afirmação da nossa autonomia estratégica ganha urgência. Dentro de dias, uma cimeira decisiva acontece na Índia. Não é um mero encontro bilateral, é uma oportunidade de aproximação entre duas das maiores economias e duas das maiores democracias do mundo. Um acordo entre a Europa e a Índia tem a capacidade de impulsionar o crescimento, de diversificar as cadeias de valor e de criar novas oportunidades para as nossas empresas, nomeadamente no setor tecnológico. Mas este acordo só é sustentável se for simbólico, justo e também coerente com os padrões e os valores europeus em matéria laboral, em matéria climática e na proteção do investimento.”
“Temos de acelerar o desenvolvimento e a modernização das nossas infraestruturas energéticas, desbloquear economias de escala que mobilizem investimento privado — sobretudo no desenvolvimento da produção renovável — e agilizar os processos de licenciamento. Por isso, e porque assim dependeremos menos de importações fósseis, este pacote das redes energéticas é bem-vindo e é um ponto de partida. Comissário, pode contar com o Parlamento Europeu. Mostremos aos cidadãos europeus que podem contar connosco. 2-0108-0000”
“Senhor Presidente, Comissário Jørgensen, em Portugal são mais de 2 milhões de pessoas que vivem em pobreza energética; na Bulgária, 20 % da população; na Alemanha, uma em cada dez famílias. São milhões de pessoas que têm de optar, já neste inverno, entre aquecer as suas casas ou chegar ao fim do mês. Em simultâneo, os preços da eletricidade para a nossa indústria são, aqui, o dobro ou mais do que nos Estados Unidos ou na China. São custos que estão a aumentar a pobreza energética e a prejudicar a competitividade europeia, como bem aponta. Precisamos de um mercado europeu interligado, ágil, eficiente, mas a preços acessíveis.”
“Mas o que está em causa hoje, e a mim incomoda-me muito que o Senhor Deputado não se incomode com isso, são os trabalhadores europeus que perdem empregos, os trabalhadores europeus que são ameaçados por layoff, porque a República Popular da China, através de uma ação de várias empresas, quer instrumentalizar as matérias raras e as matérias primas do comércio legal internacional para ameaçar os nossos direitos enquanto consumidores. 2-0249-0000”
“E a pergunta que lhe faço, a partir, sobretudo, do exemplo da Nexperia, com todos os impactos negativos no setor automóvel, é se o Senhor Deputado entende que é correta essa posição da União Europeia, e se é justo que sejam os trabalhadores a pagar por ela. (a Presidente retira a palavra ao orador) 2-0248-0000 Bruno Gonçalves (S&D), Resposta segundo o procedimento «cartão azul». – Não me espanta que o Senhor Deputado venha mais uma vez mencionar a parceria transatlântica e omita por completo a responsabilidade do Estado chinês. Se ouviu bem o meu discurso, percebeu que a independência de que nós precisamos é uma independência e uma autonomia. Ela não é só em relação à China, é em relação a todas as potências que querem instrumentalizar os europeus e a União Europeia para qualquer tipo de guerra comercial.”
“– Senhor Deputado, a situação em relação aos semicondutores, que é verdadeiramente esse o centro deste debate que estamos hoje aqui a fazer — não vale a pena iludirmo-nos com isso — é verdadeiramente reveladora de duas coisas: Por um lado, da dependência crítica dos países da União Europeia em questões absolutamente essenciais para o desenvolvimento industrial e tecnológico e, por outro lado, das consequências profundamente negativas que tem a subalternização da União Europeia aos Estados Unidos, quando, particularmente, se intromete na guerra comercial entre os Estados Unidos e a China.”
“A Europa só pode avançar num mercado global com regras, e isso significa proteger a sua indústria e avançar com novas parcerias. Tudo o resto são fábulas, fábulas de um mercado que nasceu para ser libertador e acabou a ser opressor. (O orador aceita responder a uma pergunta «cartão azul») 2-0247-0000 João Oliveira (The Left), Pergunta segundo o procedimento «cartão azul».”
“Senhora Presidente, Senhor Comissário, durante demasiado tempo achámos que a importação barata viria apenas com benefícios e sem custos. Continuamos a suspirar por um mundo que não existe, porque não são apenas as tarifas que nos ameaçam, é também o défice de regras que distorce a concorrência global. Os nossos mercados são diariamente inundados com produtos baratos que escondem uma realidade laboral com a qual não podemos — nem queremos — competir. Como podem as empresas europeias competir contra subsídios desleais de outros Estados às suas indústrias? Como podemos confiar à China o abastecimento de materiais sem o qual as nossas fábricas param? Como podem os trabalhadores ter estabilidade quando vivem sob a ameaça de deslocalização de fábricas para onde direitos laborais são uma miragem? Precisamos de ação e precisamos de coragem.”
“E quando nós optamos por ceder e desistir do multilateralismo, desistimos dos europeus e desistimos de todos estes jovens que hoje assistem a este debate. Este é um sistema novo de um mundo novo, onde a concorrência geopolítica se sobrepõe à cooperação internacional e, por isso, temos de aprender com os erros do passado e reduzir as dependências externas, da tecnologia até a defesa. Sim, precisamos de defender as nossas regras, mas temos de pensar muito além disso. Precisamos de ter mais indústria europeia, fábricas inovadoras, centros de dados avançados e éticos. Energia limpa e acessível. Se os europeus querem ter voz e peso no futuro, a solução não passa pelo recuo covarde para o nacionalismo, mas sim por apostar na cooperação e na autonomia como base da força de todo o continente. 3-0323-0000”
“Senhor Presidente, Senhora Vice-Presidente Executiva, caros colegas, hoje quero falar da história de um continente. Um continente que, após séculos de conflitos, decidiu pôr fim à guerra e instaurar, através da soberania partilhada e da cooperação, um futuro de paz. Esse continente é a Europa e esse projeto é a União Europeia. É por ele, pelo seu passado e pelos seus povos, que não podemos aceitar qualquer retrocesso na nossa soberania, custe o que custar. A União Europeia é um espaço livre e democrático, um dos poucos, aliás, no mundo. E em democracia nós respondemos à vontade do povo e das pessoas, e não de algumas elites. Quando Donald Trump bloqueia um acordo mundial entre mais de 130 países para a tributação de gigantes digitais, coloca o interesse dos mais privilegiados à frente do interesse dos povos e das nações.”
“E, portanto, responderei sendo de um partido profundamente europeísta, de um partido que criou, em Portugal, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, de um partido que aprofundou a integração europeia também no conhecimento, e que já na última legislatura — não na última legislatura do governo AD, mas do governo do Partido Socialista — criou clusters em Portugal que não só permitiram aceder a mais fundos, mas permitiram aceder a mais fundos entre empresas e universidades portuguesas. E, portanto, essa visão cética sobre a Europa é algo que caracteriza bem a bancada de onde o senhor deputado vem, mas não é algo que seja refletido nos dados públicos, que nos demonstram que, hoje, temos pessoas mais qualificadas, mais inovação — e muito mais do que tínhamos antes da integração europeia. 2-0037-0000”
“Precisamos de fazer o investimento em ciência e tecnologia, e isso não é compatível com a aceitação das restrições orçamentais que a União Europeia nos impõe. 2-0036-0000 Bruno Gonçalves (S&D), Resposta segundo o procedimento «cartão azul». – Se eu pudesse responder com uma venda, eu diria que esta intervenção vem de um partido profundamente europeísta, preocupado com a Europa e com a forma como os fundos europeus são alocados ao nosso país. Não é o caso.”
“A União Europeia acaba de anunciar um conjunto de medidas com grandes fundos associados. Portugal continua sempre numa posição de dependência, porque, para aceder a esses fundos, as nossas unidades de ciência e de investigação precisam sempre de encontrar alguma espécie de consórcio com unidades de países mais importantes, mais fortes, para conseguir aceder aos fundos. A segunda pergunta é esta: como é que o PS resolve a contradição do seu discurso e do seu posicionamento, defendendo, por um lado, o investimento na ciência e na investigação, mas, por outro lado, estando de acordo com todas as restrições e condicionamentos orçamentais que a União Europeia nos impõe, nomeadamente através do Pacto de Estabilidade?”
“Esta é uma oportunidade única para reinventar a Europa como líder de uma nova era do conhecimento na descarbonização, na inteligência artificial ou nas biotecnologias de saúde. Mas, sejamos claros, o futuro não vai esperar por nós. E é por isso que, mais do que é importante apresentar, é urgente fazer. Essa deve ser razão suficiente para que o Velho Continente volte a ser o mais iluminado. (O orador aceita responder a uma pergunta «cartão azul») 2-0035-0000 João Oliveira (The Left), Pergunta segundo o procedimento «cartão azul». – Senhor Deputado Bruno Gonçalves, quero fazer-lhe duas perguntas. Primeiro, como é que Portugal sai da situação de dependência dos países mais fortes, das grandes potências da União Europeia, no acesso aos fundos para a ciência?”
“Dear President, colleagues, Commissioner, o futuro da indústria e da competitividade europeia não se constrói com salários baixos nem com desregulação sem limites; constrói-se com uma estratégia para a inovação, estratégia que nos faltou. A iniciativa Chose Europe, agora apresentada, acrescenta 500 milhões EUR, que permitem valorizar os nossos jovens qualificados e novos centros de investigação. Mas o aumento de financiamento abre também portas ao recrutamento dos melhores cientistas que já não estão na Europa. Falo daqueles que, nos Estados Unidos e noutros países, sofreram cortes no apoio ao seu trabalho e que sentem a ciência ameaçada por parte dos mesmos que em Gaza ameaçam crianças, mas que no mundo ameaçam a verdade.”
“A verdade, colegas, é que na resiliência energética tivemos a fatura do pouco investimento na modernização das redes e da falta de interligações com o resto do continente que nos faz uma ilha energética. É quando os extremistas se aproveitam do apagão e os que falham em proteger o povo se escondem na escuridão que mais precisamos de luz na Europa. 3-0293-0000”
“Senhora Presidente, Senhor Comissário, colegas, 28 de abril fica na memória como o dia em que a Península Ibérica ficou às escuras e em que a nossa fragilidade ficou exposta. Na Proteção Civil, o Governo português falou tarde e não transmitiu segurança. Deixou os portugueses à sua sorte e demitiu-se da exigível liderança. Luís Montenegro falhou. E, se Luís Montenegro foi incapaz de liderar um apagão de 12 horas, escondendo-se dos problemas, imagine-se como seria num cenário de uma nova guerra ou numa pandemia. Mais à direita, enquanto os populistas se apressavam a atacar a aposta certa nas renováveis, centrais para a nossa soberania e, já agora, para a nossa independência da pátria, a informação começava a entrar nas nossas casas e a desmentir as suas teses.”
“O que nós não podemos tolerar, o que nós não podemos admitir é que a deslocalização de postos de trabalho, que — essa sim — afeta grande parte dos trabalhadores da União Europeia, milhões de trabalhadores, seja consubstanciada e a partir de investimento que é feito fora da União. Por isso falamos de inovação, por isso falamos de interligações, energia mais barata, mas por isso falamos também de investimento em energia sustentável. Ao contrário do que dizem os blocos à nossa direita, depender de outras nações hostis à União não é bom, nem para trabalhadores, nem para os nossos países. 3-0093-0000”
“Esta abordagem que é feita deixa os trabalhadores, os seus postos de trabalho, os seus salários, as suas condições de trabalho, os processos de negociação coletiva sólidos, que deviam estar salvaguardados, completamente desconsiderados. Ora, os trabalhadores destes setores industriais precisam de ser considerados e as suas necessidades e os seus direitos têm que ser tidos em conta como critério e referência das decisões a tomar neste âmbito. 3-0092-0000 Bruno Gonçalves (S&D), Resposta segundo o procedimento «cartão azul». – Caro Deputado, como bem entenderá e como bem pode ler, não só no programa desta Comissão, mas por aquilo que o nosso Grupo trouxe aqui, pode ver que os contratos de trabalho ficam sempre assegurados quando há criação de riqueza.”
“Reduzir a exposição a blocos hostis à União, aumentar a nossa produção renovável e assegurar a interdependência entre os nossos Estados‑Membros são os primeiros passos para o sucesso industrial do maior mercado único do mundo. O nosso bem‑estar e a nossa liberdade dependem da nossa coragem e dependem da nossa responsabilidade. (O orador aceita responder a uma pergunta «cartão azul») 3-0091-0000 João Oliveira (The Left), Pergunta segundo o procedimento «cartão azul». – Senhor Deputado Bruno Gonçalves, a pergunta que lhe quero fazer é simples: o senhor deputado está de acordo com esta abordagem que é feita pela Comissão Europeia às indústrias de energia intensiva, desconsiderando os elementos de condicionalidade social fortes que deviam estar presentes?”
“Senhora Presidente, Senhor Comissário, colegas, a perda de competitividade europeia não é, infelizmente, novidade. Depois de décadas de subinvestimento em inovação e aposta no modelo de importações baratas, os resultados estão à vista e, nos últimos quatro anos, desapareceram — apenas nos últimos quatro anos — 850 000 empregos na indústria. Isto não são números, são vidas. Muitas pessoas para quem o trabalho deixou de ser uma fonte de estabilidade e passou a ser uma batalha e uma incerteza. Por isso, quando falamos de recuperar força industrial, como bem apresenta, falamos de devolver a esperança e a liberdade através de emprego digno e salários justos a quem ficou para trás. E isso tem de começar obrigatoriamente por uma aposta forte em energia segura, barata e sustentável.”
“E aqui, nas poucas linhas que encontramos do Conselho para a prosperidade, mas também para a sustentabilidade, nós precisamos de garantir que um mundo mais justo é um em que aqueles que podem mais também contribuem com recursos próprios para que a União se possa desenvolver. Acabando com Thomas Jefferson, devo dizer: os tempos mudam, as constituições devem mudar com eles. O que não pode mudar é a nossa forma de olhar para a vontade dos povos e, com ela, avançar. 2-0075-0000”
“Senhora Presidente, Caro Presidente do Conselho, Caro Comissário, em tempos de medo, tenhamos esperança. E sobre as conclusões do Conselho devo dizer que, desde a chegada de Donald Trump, a palavra que mais ouvimos foi a palavra crise. E tivessem os gregos sabido que a palavra crise — krisis — seria empregada com mais vontade para o perigo e com menos esperança da vontade, talvez não a tivessem empregado da mesma forma. E é sobre esse otimismo, que não sei se é ou não irritante, que nós devemos olhar para o futuro. O futuro da União Europeia é um futuro de união quando falamos do mercado para a prosperidade. O futuro da União Europeia não é da indústria da guerra, nem da defesa, é da indústria da paz, porque só ela salva os povos e lhes devolve segurança. Mas é também um futuro de realismo.”
“E é por isso que eu vejo com muito agrado que esta Comissão, pela primeira vez, encara este desafio e diz, desde logo, não só para o futuro, como para o presente, que os Estados‑Membros têm também a responsabilidade de desenhar mecanismos que possam prever já isso. Olhe o nosso caso em Portugal: é responsabilidade do Governo português começar já a desenhar esses mecanismos, esse mecanismo de desacoplamento. Não é aceitável que, num país onde a produção renovável é tão alta, os preços continuem como estão. E, portanto, essa é uma boa medida, essa é uma boa proposta. 4-0124-0000”
“E, portanto, o que isso significa é que a energia produzida a partir de fontes renováveis — e mais barata — continua a ser paga aos preços, mais altos e voláteis, do gás. E a pergunta que lhe faço, por isso, é se é possível, nestas condições, esperar mesmo que os preços da energia baixem para as famílias e para as empresas ou se, pelo contrário, vão continuar elevados, a alimentar os lucros dos grupos económicos do setor energético. 4-0123-0000 Bruno Gonçalves (S&D), Resposta segundo o procedimento «cartão azul». – Caro Deputado, como mencionei na minha intervenção — e menciona também bem —, o mais importante neste momento é reduzir o preço para as famílias, para as pequenas e médias empresas, para quem precisa. Isso significa, obviamente, olhar para o mecanismo de formação de preços, entendê-lo e reformulá-lo.”
“E isso é caminhar para acabar com a indexação do preço do gás. Contamos consigo para essa batalha. A política energética e a transição climática precisam de entregar resultados para as pessoas e para as pequenas e médias empresas, não para grandes empresas do setor energético, nem para especuladores do sistema financeiro, cujos interesses não são os interesses europeus. (O orador aceita responder a uma pergunta «cartão azul») 4-0122-0000 João Oliveira (The Left), Pergunta segundo o procedimento «cartão azul». – Senhor Deputado Bruno Gonçalves, este plano de ação para preços de energia acessíveis anuncia a intenção de desacoplar o preço da energia do preço do gás, como, de resto, referiu na sua intervenção, mas faz esse anúncio de forma muito tímida e não introduz nenhuma alteração de fundo ao mecanismo de formação de preços.”
“Senhor Presidente, Senhor Comissário, colegas, investir na produção de energia renovável não é uma questão ideológica: é a aposta certa para uma Europa que quer mais autonomia estratégica, uma trajetória favorável de preços e menos emissões poluentes. Sabemos que, no curto prazo, será muito difícil competir com os preços de energia, seja dos competidores americanos, seja dos competidores chineses. Temos falta de recursos naturais endógenos e a dependência do gás barato da Rússia, que agora se extingue, inibiu durante muito tempo o investimento em alternativas. Mas o caminho é este — e o caminho é certo. Comissário Jørgensen, terá todo o meu apoio para o seu plano para a energia acessível. Mas, como diz o relatório Draghi, há uma forma de a Europa aliviar já, hoje, os preços da eletricidade.”
“Senhor Presidente, Caros Colegas, há cinco anos, com a pandemia, ficou claro que não podemos depender da China para bens de saúde. Dissemos que aprenderíamos com o erro. Depois, há três anos, foi a vez de perceber que depender da Rússia para energia barata era também um erro. Voltámos a dizer que aprenderíamos. E hoje, apesar de Trump nos ameaçar quase diariamente, há quem queira depender mais dos Estados Unidos da América, seja para armamento, energia ou plataformas digitais. Se a Europa quer menos vulnerabilidade, é agora que devemos evitá‑la. A nova infraestrutura de comunicações, desde cabos submarinos à rede 5G, é fundamental para a nossa autonomia e deve ser construída pelos europeus. A criação de novas redes sociais e de informação é também crucial para a nossa soberania.”
“Madam President, I want to evoke today Rule 40 of the Rules of Procedure that relates to the respect of fundamental rights. I want to evoke it on the Article 11 that states the right for everyone to receive information without interference, regardless of frontiers. Today, censorship has started on Meta. I invite all Members here in the House to search for the hashtag #Democrat on Instagram or Facebook and to see the 0 results that are displayed due – imagine – to alleged sensitive content. Yet, if you search for the hashtag #Republican or the hashtag #WhiteSupremacy, there are millions of results. For the far right, democracy is sensitive. For us, proud Europeans, democracy is fundamental. 2-0171-0000”