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EUROPEAN PARLIAMENT · SITTING

Catarina Martins

Member of the European Parliament · The Left · PT

IN THEIR OWN WORDS

Senhor Presidente, Senhor Comissário, o senhor comissário pede‑nos unidade. Unidade em quê? A bater palmas a Trump, o homem que jogou e ganhou milhões com a guerra que tornou os preços impossíveis na Europa? À guerra que reforçou o regime do Irão e lhes deu o poder de fechar o estreito de Ormuz?

PLENARY SITTING OF 2026-06-17 · READ THE VERBATIM REPORT

Senhora Presidente, o mercado único é uma espécie de linha do horizonte para os liberais. Trinta e três anos depois da sua criação, dizem que afinal ainda não existe. Mas há mercado único e há liberalização, há a livre circulação de capitais, de prestação de serviços, comércio livre — o que não há é a prosperidade que prometeram.

PLENARY SITTING OF 2026-05-20 · READ THE VERBATIM REPORT

O atraso que a Europa acumulou em relação a qualquer outro espaço económico, o desempenho medíocre das nossas economias, a desesperança das jovens gerações, a falência do Estado social é mercado único, é liberalismo e não funciona. Não é melhor para Portugal, não é melhor para a Europa, só é melhor para quem já tem mesmo muito dinheiro.

PLENARY SITTING OF 2026-05-20 · READ THE VERBATIM REPORT

Está, aliás, por provar que a IA tenha gerado ganhos de produtividade na economia. Até ver, é uma gigantesca bolha financeira e, sim, guerra. Este não é, portanto, o momento de desregular ou de simplificar, como lhe chama a Comissão.

PLENARY SITTING OF 2026-05-19 · READ THE VERBATIM REPORT

Senhora Presidente, Senhora Comissária, «o hard power deste século será construído em software.» A frase é do manifesto da Palantir, empresa criada pela CIA em 2003 que se registou na Comissão Europeia como de literacia em inteligência artificial e que tanto guia bombardeamentos no Irão, como serve para a polícia alemã rastrear pessoas.

PLENARY SITTING OF 2026-05-19 · READ THE VERBATIM REPORT

Senhor Presidente, é preciso decidir regras fiscais por maioria qualificada para acabar com os Estados offshore? É preciso decidir mínimos sociais, laborais e ambientais para impedir a corrida para o fundo? É preciso projetos de cooperação entre os Estados-Membros? Vamos a isso.

PLENARY SITTING OF 2026-05-19 · READ THE VERBATIM REPORT

The complete record

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  1. Sabemos agora que a Comissão escondeu durante dez anos, quase dez anos, um parecer jurídico para acabar com o Acordo de Associação. O Conselho vai continuar a tocar a mesma música, agora em modo de banda de Titanic? 3-0044-0000

    PLENARY SITTING OF 2026-06-17 · READ THE VERBATIM REPORT

  2. Senhor Presidente, Senhor Comissário, o senhor comissário pede‑nos unidade. Unidade em quê? A bater palmas a Trump, o homem que jogou e ganhou milhões com a guerra que tornou os preços impossíveis na Europa? À guerra que reforçou o regime do Irão e lhes deu o poder de fechar o estreito de Ormuz? À retirada das tropas da ONU do Líbano para dar ainda mais mãos livres a Israel? A um acordo em que ficamos bem pior do que estávamos antes da guerra? Bater palmas, talvez ao BCE, que decidiu subir as taxas de juro, agravando a crise do custo de vida na Europa? A Comissão Europeia pede‑nos unidade contra os povos que devemos defender. Tenha vergonha, Senhor Comissário, e Senhora Ministra, a sério que Israel continua fora da agenda do Conselho? O seu país, Chipre, foi atingido por um míssil da guerra que Israel começou.

    PLENARY SITTING OF 2026-06-17 · READ THE VERBATIM REPORT

  3. O atraso que a Europa acumulou em relação a qualquer outro espaço económico, o desempenho medíocre das nossas economias, a desesperança das jovens gerações, a falência do Estado social é mercado único, é liberalismo e não funciona. Não é melhor para Portugal, não é melhor para a Europa, só é melhor para quem já tem mesmo muito dinheiro. 3-0088-0000

    PLENARY SITTING OF 2026-05-20 · READ THE VERBATIM REPORT

  4. Senhora Presidente, o mercado único é uma espécie de linha do horizonte para os liberais. Trinta e três anos depois da sua criação, dizem que afinal ainda não existe. Mas há mercado único e há liberalização, há a livre circulação de capitais, de prestação de serviços, comércio livre — o que não há é a prosperidade que prometeram. Em Portugal, a liberalização das comunicações privatizou e encerrou postos de correios em todo o território e destruiu a maior empresa tecnológica do país, a PT. A energia é controlada pela China e um mês de renda liberalizada custa mais do que todo o salário. A cada liberalização, a cada passo de mercado, prometem «a próxima é que é». Sejamos sérios. Porque é que os liberais fazem de conta que não existe mercado interno? Porque fazem tudo para não reconhecer as suas responsabilidades.

    PLENARY SITTING OF 2026-05-20 · READ THE VERBATIM REPORT

  5. Mas é preciso agilizar processos de decisão para algum dos objetivos concretos da vida das pessoas, porque aquilo de que não precisamos de certeza é de uma espécie de estado de sítio, onde tudo se impõe, tudo se centraliza e nada se escrutina. Responder às emergências? Sim. Usá-las para subtrair decisões à democracia? Não. A história já provou que esse é o pior dos caminhos. 2-0160-0000

    PLENARY SITTING OF 2026-05-19 · READ THE VERBATIM REPORT

  6. Senhor Presidente, é preciso decidir regras fiscais por maioria qualificada para acabar com os Estados offshore? É preciso decidir mínimos sociais, laborais e ambientais para impedir a corrida para o fundo? É preciso projetos de cooperação entre os Estados-Membros? Vamos a isso. Precisamos de uma União que dê mais valor aos direitos do que aos mercados, que proteja mais o planeta do que os lucros, que lute mais pela paz, em vez de ficar a ver guerras ou a querer criar mais exércitos. Mas, quando debatemos a governação da União Europeia, vamos falar do concreto, porque, para alguns, é sempre mais poder centralizado e, para os mais fortes, o argumento é que vai mudando. Agora, são as emergências. As emergências são reais: custo de vida, habitação, saúde, clima, guerra.

    PLENARY SITTING OF 2026-05-19 · READ THE VERBATIM REPORT

  7. – Nós não estamos preparados na Europa, e é por isso que defendo que é fundamental desenvolvermos modelos de inteligência artificial, com os critérios éticos, democráticos e ambientais que consideramos importantes, até para proteger a nossa democracia. Há um poeta português que diz «Ainda não é o fim nem o princípio do mundo, calma, é apenas um pouco tarde». Eu diria: estamos mesmo bastante atrasados. 2-0028-0000

    PLENARY SITTING OF 2026-05-19 · READ THE VERBATIM REPORT

  8. Está, aliás, por provar que a IA tenha gerado ganhos de produtividade na economia. Até ver, é uma gigantesca bolha financeira e, sim, guerra. Este não é, portanto, o momento de desregular ou de simplificar, como lhe chama a Comissão. Precisamos, sim, de modelos éticos e desenvolvidos na Europa, de entidades de investigação e desenvolvimento a participar na construção de ferramentas tão centrais no mundo de hoje. Precisamos de reguladores eficazes com mais meios para inspecionar e licenciar. No momento em que se fala de maior recurso à IA na área da saúde, com estes sistemas será possível utilizar os dados para treinar sistemas médicos e reconstruí-los. Estamos a falar de dados genéticos ou clínicos altamente sensíveis e privados dos cidadãos. Senhora Comissária, a escolha é urgente: segurança, liberdade, democracia.

    PLENARY SITTING OF 2026-05-19 · READ THE VERBATIM REPORT

  9. Senhora Presidente, Senhora Comissária, «o hard power deste século será construído em software.» A frase é do manifesto da Palantir, empresa criada pela CIA em 2003 que se registou na Comissão Europeia como de literacia em inteligência artificial e que tanto guia bombardeamentos no Irão, como serve para a polícia alemã rastrear pessoas. No mês passado, duas Big Techs dos Estados Unidos lançaram sistemas sofisticados de inteligência artificial que provaram ser capazes de detetar e atacar pontos de vulnerabilidade sem qualquer intervenção humana. A cibersegurança de sistemas de hospitais, redes elétricas e outras infraestruturas está em risco. Empresas por toda a Europa usam o argumento da IA para despedir trabalhadores, ainda que muitas vezes depois voltem a contratá-los, mas mais precários e por menos salário.

    PLENARY SITTING OF 2026-05-19 · READ THE VERBATIM REPORT

  10. Precisamos de prevenção e precisamos também de consequências reais para crimes que têm vítimas reais, com vidas muito literalmente destruídas. As plataformas digitais não podem continuar a ser offshores legais e têm de ser responsabilizadas. Para isso, o Digital Services Act tem de ter consequências reais. Aliás, se não tiver, não serve para absolutamente nada. 3-0299-0000

    PLENARY SITTING OF 2026-04-29 · READ THE VERBATIM REPORT

  11. Senhora Presidente, Senhor Comissário, nas plataformas digitais não é só o crime compensar, é que o crime é mesmo um modelo de negócio. A violência, o ódio e a agressão são os instrumentos do engagement. Uma em cada seis crianças já foi vítima de ciberbullying. Quase quatro em cada dez raparigas e mulheres já foram vítimas de uma violência que é cada vez mais organizada: insultos, ódio, partilha de imagens não consentida. O ciberbullying escolar e a perseguição sistemática de mulheres não são a mesma coisa, mas são ambas alimentadas por máquinas de radicalização e normalização do abuso e da violência. O caldo cultural que promove a violência online, a manosfera que os tecno‑oligarcas acarinham e que ensina a jovens que ódio é uma forma de entretenimento, é pura e simplesmente criminoso.

    PLENARY SITTING OF 2026-04-29 · READ THE VERBATIM REPORT

  12. O novo mandato da Comissão e deste Parlamento, aliás, começou com inúmeros recuos nos compromissos climáticos que já eram insuficientes. O desinvestimento na resposta às alterações climáticas foi mitigado pelo aquecimento da propaganda. Senhor Comissário, somos todos nós que estamos a ser atacados. A guerra e a crise energética atacam‑nos no nosso dia a dia. A traição aos compromissos climáticos ataca o nosso futuro e, como sempre, serão os mais pobres a pagar. 2-0362-0000

    PLENARY SITTING OF 2026-03-10 · READ THE VERBATIM REPORT

  13. Senhor Presidente, enquanto as populações europeias estão a desesperar com a subida dos preços da energia, a Comissão decide dizer que os vai baixar e fazer exatamente o oposto. A Comissão consegue, em simultâneo, aumentar o custo de vida e fazer o descrédito das Instituições, é o novo normal. Neste momento estamos a viver um novo episódio desta farsa política, enquanto os Estados Unidos e Israel atacam o Irão – cometendo mais um crime internacional e provocando um desfile de atrocidades –, a resposta das lideranças europeias oscila entre a cobardia e mais propaganda. E a Comissão anuncia planos para reduzir a fatura da energia aos cidadãos, ao mesmo tempo que está a aceitar a guerra que faz os preços disparar.

    PLENARY SITTING OF 2026-03-10 · READ THE VERBATIM REPORT

  14. O velho machismo de sempre, com moderninhas roupas de influencer, tenta convencer-nos que a felicidade das mulheres estará dentro de casa e a cuidar. Para esses, eu tenho duas respostas: o passado idealizado de mulheres cuidadoras e felizes em casa nunca existiu. As mulheres sempre trabalharam muito e em tudo. A diferença é se trabalho é ou não remunerado, é ou não reconhecido. E sabemos o que querem. Querem as mulheres fora do espaço público, fora dos espaços de trabalho, da economia, da decisão. Querem manter o privilégio machista e tirar-nos independência e poder. Condenar-nos à subserviência, humilhação e violência. Não andamos para trás. O que exigimos aqui é a partilha justa do cuidado e serviços públicos de cuidado da creche ao apoio à velhice. E queremos igual salário, igual respeito. 1-0157-0000

    PLENARY SITTING OF 2026-03-09 · READ THE VERBATIM REPORT

  15. Senhora Presidente, fixem estes números: os homens são 41 % da mão de obra portuguesa com o ensino superior, mas ocupam 84 % dos cargos de topo nas empresas. É mesmo o mérito? Em toda a União Europeia, as mulheres ganham, em média, menos 12 %. Nalguns países a diferença ultrapassa os 18 %, trabalham 54 a 67 dias por ano sem salário. E, já se sabe: baixos salários condenam a pensões baixas. Em Portugal, as mulheres teriam de trabalhar quase três meses em cada ano mais para terem o mesmo salário anual e fazem três vezes mais as tarefas de casa e cuidado, aquelas que nunca entram nas contas do salário nem da pensão, só do cansaço. E há quem aproveite este cansaço para tentar empurrar as mulheres para casa.

    PLENARY SITTING OF 2026-03-09 · READ THE VERBATIM REPORT

  16. Senhora Presidente, a ver se eu percebi este debate. Se os Estados não fazem o que as grandes empresas querem, passa-se por cima dos Estados. Crise da habitação, baixos salários, degradação ambiental, isso não preocupa; o que é preciso é que as decisões democráticas não irritem os grandes negócios. E os deputados riem-se das anedotas da Senhora von der Leyen, aplaudem. Confesso que este debate me enjoa. O que é o 28.º regime? O novo membro nesta brincadeira parva que propõem? Não é um Estado, não tem população nem território, é um offshore jurídico e democrático que terá uma consequência óbvia: concorrer contra os Estados‑Membros por menos regras ambientais, fiscais e do trabalho. Afinal, não tem eleitores que reivindiquem direitos, nem hospitais ou escolas que pagar. A Comissão, aliás, abraçou a novilíngua.

    PLENARY SITTING OF 2026-02-11 · READ THE VERBATIM REPORT

  17. Bem sei, também nas tempestades, são os mais pobres que perdem a casa, o emprego, tudo, e esses não têm lobistas nestes corredores. Senhora Comissária, deixo-lhe um apelo: que a Europa esteja à altura do enorme movimento de solidariedade que tantas pessoas anónimas, nestes dias, estão a mobilizar em Portugal. Façamos mais, façamos melhor! 2-0028-0000

    PLENARY SITTING OF 2026-02-10 · READ THE VERBATIM REPORT

  18. Senhora Presidente, as tempestades são naturais, mas a irresponsabilidade é humana. O primeiro‑ministro português responsabilizou as vítimas que não evitaram a trágica consequência de perder a vida, cito. Um ministro disse a quem perdeu tudo que usasse o salário do mês passado. O governo, esse que não acionou a solidariedade europeia enquanto o país desespera com a falta de geradores, já não tinha levado a sério os avisos da meteorologia e fez muito pouco, muito mal, muito tarde. Já morreram 15 pessoas em Portugal neste corredor de tempestades. Largos milhares estão sem luz, água ou comunicações, sem casa ou em casas sem telhado, inundadas, isoladas. Entretanto, aqui, uma maioria de irresponsáveis recua em todos os compromissos climáticos. Em Portugal, os liberais até querem acabar com o conceito de emergência climática.

    PLENARY SITTING OF 2026-02-10 · READ THE VERBATIM REPORT

  19. Exigir um pilar social efetivo e para estes tempos é uma escolha sobre a Europa que queremos. Uma Europa dos direitos ou uma Europa da corrida para o fundo. Esta escolha decidirá não apenas o futuro da Europa, mas o futuro da democracia. 4-0072-0000

    PLENARY SITTING OF 2026-01-22 · READ THE VERBATIM REPORT

  20. Senhora Presidente, Senhora Vice-Presidente, a direita quer convencer-nos de que a União Europeia tem competência para destruir direitos, mas não para criar. Pode exigir liberalização da legislação laboral, mas não direitos do trabalho. Pode exigir privatização dos serviços públicos, mas não direito à saúde ou à habitação. Não é uma questão de competência, é de escolha - e o vosso lado é claro. A esquerda, por seu lado, tem-se batido para que o modelo social europeu seja algo mais do que um artigo de propaganda. Proteger e refundar o contrato social do pós-guerra (com serviços públicos robustos, com dignidade para todas as pessoas durante toda a vida e direitos laborais fortes, incluindo, sim, salário mínimo, proteção de quem trabalha para as plataformas ou o direito a desligar) é o mínimo dos mínimos.

    PLENARY SITTING OF 2026-01-22 · READ THE VERBATIM REPORT

  21. Este é o momento da União Europeia liderar pelo exemplo. A frase que se repete tantas vezes e se pratica tão pouco. O compromisso com o desenvolvimento não é um favor, é uma obrigação e deve ser um instrumento de paz. A solidariedade não é uma fraqueza, é uma força. 3-0453-0000

    PLENARY SITTING OF 2025-10-08 · READ THE VERBATIM REPORT

  22. Senhor Presidente, Senhora Comissária, quando a Segunda Cimeira Mundial para o Desenvolvimento Social reunir no próximo mês, terão passado 30 anos sobre o compromisso de Copenhaga, sem que tenhamos estado à altura do que era exigido. Num mundo de crescentes desigualdades e em que crescem as forças políticas que apostam tudo em colocar trabalhadores contra trabalhadores, e após a decisão de Donald Trump de acabar com a USAID, que se estima que, até 2030, mate mais de 14 milhões de pessoas no mundo –– sobretudo crianças ––, por falta de vacinas e alimentos, fazer esta cimeira no Qatar é um trágico cinismo. Que, ao menos, este Parlamento seja capaz de lutar por compromissos fortes; a erradicação da pobreza, o emprego digno, a coesão social são objetivos que podem ser alcançados –– haja vontade política.

    PLENARY SITTING OF 2025-10-08 · READ THE VERBATIM REPORT

  23. A União Europeia não fez o que devia para defender a flotilha humanitária, porque eu não esqueço que o Mediterrâneo está cheio de barcos da Frontex que podiam ter acompanhado os barcos da flotilha, quebrado o cerco e levado ajuda humanitária a quem precisa. A União Europeia não fez o que precisava de fazer para defender a flotilha, porque aceitaria de algum país, como aceitou de Israel, uma detenção criminosa em águas internacionais e o tratamento desumano dado àqueles detidos, que nem sequer o apoio de advogados, muitos deles, conseguiram ter? E sei que a União Europeia não fez o que devia fazer porque os Estados-Membros («...») (a Presidente retira a palavra à oradora) 2-0210-0000

    PLENARY SITTING OF 2025-10-07 · READ THE VERBATIM REPORT

  24. Seguir o exemplo corajoso das flotilhas e mandar as suas frotas entregar ajuda humanitária a Gaza, quebrar o cerco, parar o genocídio, comprometer-se com a responsabilização dos criminosos de guerra. Aí sim, poderemos ter um plano de paz com alguma credibilidade. (A oradora aceita responder a uma pergunta «cartão azul») 2-0208-0000 Ana Miranda Paz (Verts/ALE), Pergunta segundo o procedimento «cartão azul». – Senhora Deputada, considera que a flotilha Sumud por Gaza foi defendida pela União Europeia, diplomática e também humanitariamente? 2-0209-0000 Catarina Martins (The Left), Resposta segundo o procedimento «cartão azul». – Tenho a certeza de que a União Europeia não fez o que devia.

    PLENARY SITTING OF 2025-10-07 · READ THE VERBATIM REPORT

  25. Senhora Presidente, testado em cenário real, é a marca do armamento israelita. Um negócio que cresce como nunca. A Europa é o principal comprador, mas também há países árabes a comprar. Morrem palestinianos. Gaza é o terreno de ensaio da indústria de morte. Um plano de paz à medida deste negócio não é um plano de paz. No plano de Trump e Netanyahu os palestinianos não são sequer ouvidos. O criminoso de guerra Tony Blair é o capataz de serviço e Israel mantém não só todo o poder como toda a impunidade. É um plano de guerra e é o fim do direito internacional e humanitário. A Europa finge condenar, mas continua a armar o genocídio. Pelo meu país passaram F-35 para Israel com autorização do governo português. O mínimo que se exige à União Europeia é menos cinismo e mais sanções efetivas.

    PLENARY SITTING OF 2025-10-07 · READ THE VERBATIM REPORT

  26. Enquanto continuam a exportar armas para Israel e a prometer a Trump mais negócio para o complexo industrial militar, os Estados-Membros e as instituições europeias estão a falhar no mais básico para garantir a segurança da sua população — a proteção civil —, como se a segurança dos cidadãos europeus fosse secundária. As aldeias cercadas pelo fogo, a desesperar por ajuda, são o trágico resultado do desprezo pelas populações e deviam ser a primeira razão para arrepiar caminho e dar prioridade à coesão e à transição climática. 2-0219-0000

    PLENARY SITTING OF 2025-09-09 · READ THE VERBATIM REPORT

  27. Senhor Presidente, senhora Comissária, em 2025, Portugal foi o Estado-Membro com mais área ardida em toda a União Europeia. Centenas de bombeiros arriscaram a vida, e houve populações que ficaram sozinhas a combater o fogo para salvar as suas aldeias. O Governo português falhou, desvalorizou, não preparou, pediu ajuda internacional tarde demais, não foi capaz de uma resposta coordenada. Deixou as populações, os bombeiros, GNR, autarcas, entregues à sua sorte. E agradecemos a solidariedade europeia, mas acho que também devemos discutir se não podemos fazer melhor. Na verdade, a União Europeia também não esteve à altura do que se esperava: o Mecanismo Europeu de Proteção Civil demorou cinco dias a enviar os meios aéreos, depois de ser ativado. Cinco longos dias.

    PLENARY SITTING OF 2025-09-09 · READ THE VERBATIM REPORT

  28. Onde está a vossa garantia de proteção à Flotilha Liberdade? Onde está a garantia de proteção a quem está a fazer o que todos nós devíamos estar a fazer, que é fazer chegar ajuda humanitária a Gaza? O vosso silêncio é cúmplice. Israel está a matar com as armas e os meios europeus. Os cúmplices do genocídio são também genocidas. 2-0109-0000

    PLENARY SITTING OF 2025-09-09 · READ THE VERBATIM REPORT

  29. Senhora Presidente, senhora Kallas, é genocídio, não é um conflito — é genocídio. Vinte e oito crianças morrem por dia na Faixa de Gaza, às mãos de Israel e às mãos de todos os que são cúmplices. Não venha para aqui chorar os milhões de ajuda humanitária que estão a apodrecer porque Israel decidiu matar à fome em Gaza. Na verdade, o que precisava de estar a fazer era apoiar quem está a tentar que a ajuda humanitária chegue a Gaza. Não lhe ouvi uma palavra sobre a Flotilha Global. Esta noite, um dos barcos com bandeira portuguesa onde viajam Greta Thunberg, Ada Colau, Mariana Mortágua e muitos outros cidadãos europeus foi atingido por um drone. Já aconteceu antes. Sabemos que é assim que Israel age. E o que dizem? Roberta Metsola, Ursula von der Leyen, António Costa, onde está a vossa condenação a este ataque?

    PLENARY SITTING OF 2025-09-09 · READ THE VERBATIM REPORT

  30. Senhor Presidente, Senhora Kallas, só tenho um minuto e acho que, ainda assim, num minuto é possível avaliar o Acordo de associação com Israel e decidir terminá-lo. Acompanhe-me. O segundo artigo do acordo diz: «As relações entre as partes serão baseadas no respeito pelos direitos humanos». E o que está a fazer Israel? Massacra indiscriminadamente civis, incumpre o direito humanitário internacional. Nega ajuda humanitária, também. Matar crianças aos milhares, destruir hospitais, arrasar as casas e condenar à fome são uma violação dos direitos humanos. O genocídio é uma violação dos direitos humanos. Senhora Vice-Presidente da Comissão, aí tem os fundamentos para suspender o Acordo em menos de um minuto. Acho que ninguém vai conseguir explicar em tempo nenhum como é que este Acordo se mantém ativo.

    PLENARY SITTING OF 2025-06-17 · READ THE VERBATIM REPORT

  31. No caminho para a COP 30, um Pacto Europeu que foge a metas concretas é o sinal errado. Senhor Comissário, espero que ainda o possamos corrigir. 2-0107-0000

    PLENARY SITTING OF 2025-06-17 · READ THE VERBATIM REPORT

  32. Senhora Presidente, Senhor Comissário, há duas formas de irresponsabilidade: a dos negacionistas climáticos –– que aqui são representados pela extrema-direita ––, mas também a das boas intenções, sem concretização, que a direita veio hoje aqui saudar. O Pacto dos Oceanos sofre desta irresponsabilidade por inconsequência. Na altura de mudar alguma coisa, no que é mais urgente, não há metas concretas e vinculativas, nem mesmo investimento suficiente. Só boas intenções. O oceano é a nossa última barreira de proteção climática e o risco é tremendo. Transformar as pescas, apoiar os pescadores, acabar com o arrasto industrial e travar o fóssil e a praga do plástico nos oceanos tem de ser vinculativo, a par do aumento das áreas protegidas e da proibição da mineração em mar profundo.

    PLENARY SITTING OF 2025-06-17 · READ THE VERBATIM REPORT

  33. Mas olhemos para o que está a acontecer: orçamento para a ciência insuficiente, xenofobia no centro da política de imigração e, mais, com a cobertura crescente que populares e liberais dão à extrema-direita um pouco por toda a Europa, quem acolherá os investigadores americanos, europeus, seja onde for, quando a perseguição, aqui, também se tornar a regra? 2-0023-0000

    PLENARY SITTING OF 2025-05-22 · READ THE VERBATIM REPORT

  34. A interferência e a ameaça contra as universidades, o desrespeito completo pela autonomia, a falta de conhecimento — onde sobram racismo, misoginia e homofobia, elevados a critérios da ciência, que se pode ou não produzir —, também já estão na Hungria. Já está à espreita em tantos países europeus. E não foi, afinal, o que ouvimos aqui hoje? A iniciativa Escolhe a Europa para a Ciência tem o objetivo de atrair cientistas de outras partes do mundo para fazer ciência na Europa. E é bom que a Europa o queira fazer, que se queira abrir ao mundo e que perceba que a ciência é fundamental.

    PLENARY SITTING OF 2025-05-22 · READ THE VERBATIM REPORT

  35. Senhora Presidente, Senhora Comissária, este debate é um desfile de horrores. Um grupo da extrema-direita chega e defende cortar o financiamento a universidades que se posicionam contra o genocídio na Palestina. Logo a seguir, outro dos grupos da extrema-direita vem defender cortes na investigação científica sobre mulheres. Como se não chegasse, vem o terceiro grupo de extrema-direita deste Parlamento e propõe adotar o conceito fascista de ciência: só se investiga o que lhes der razão. A questão da liberdade académica não é um problema só nos Estados Unidos, onde a administração de Donald Trump está a perseguir as universidades e os cientistas.

    PLENARY SITTING OF 2025-05-22 · READ THE VERBATIM REPORT

  36. A Comissão Europeia, que hoje aqui diz que a Europa Social é tão importante e que nasceu do acordo que incluiu socialistas e democratas, verdes, liberais, populares e parte da extrema-direita, é a Comissão que abandona tanto o Pilar Social como o Pacto Verde. A esquerda não abandona. Segurança não é encher o mundo de armas. A verdadeira segurança está no combate à desigualdade. Está no salário, na casa, na educação, na saúde e na batalha contra a crise climática. 3-0200-0000

    PLENARY SITTING OF 2025-04-02 · READ THE VERBATIM REPORT

  37. Senhor Presidente, à pobreza e desemprego chamam ajustamento, à precariedade chamam flexibilidade e à desregulação chamam simplificação. Há mais de uma década, a austeridade chegou pela via da crise financeira internacional. Agora, é pela chantagem armamentista. Quando é preciso proteger as pessoas e os seus direitos, as instituições europeias explicam que os Tratados não permitem. Quando é para salvar bancos ou comprar armas, ignoram esses mesmos Tratados. Não é por acaso que a inflação e o custo de vida são a maior preocupação dos povos europeus, a que se junta a habitação e a saúde. As instituições conhecem o barómetro, mas optam por ignorar.

    PLENARY SITTING OF 2025-04-02 · READ THE VERBATIM REPORT

  38. Vivemos entalados entre as apps americanas, chinesas e russas, e medicamentos. A União Europeia depende até 80 % de substâncias ativas produzidas na China. Não podemos desperdiçar nas armas de que não precisamos o investimento em saúde que nos falta. Prontidão não é ter medicamentos para três dias, é ter medicamentos todos os dias. 2-0334-0000

    PLENARY SITTING OF 2025-04-01 · READ THE VERBATIM REPORT

  39. Senhora Presidente, Senhora Comissária, não vejo o seu vídeo sobre o kit de sobrevivência para 72 horas apenas como uma brincadeira infeliz. Ele é parte de uma estratégia para impor à opinião pública a inevitabilidade da guerra. Há 20 anos, a indústria da guerra inventou a mentira das armas de destruição maciça do Iraque, agora é a suposta falta de armas na Europa. A União Europeia tem a segunda maior despesa em defesa e é o segundo maior exportador de armas no mundo. Só é suplantada pelos Estados Unidos. Tem falta de autonomia, sim, mas não de armas. O problema é que até as armas dependem do gás de Putin e dos satélites de Musk. Prontidão exige transição energética. Milhares de europeus morreram em catástrofes climáticas e a Comissão propõe recuar nas metas climáticas. Exige estratégia pública, digital e de comunicações.

    PLENARY SITTING OF 2025-04-01 · READ THE VERBATIM REPORT

  40. Cum puteți să-l acuzați pe Trump, când Trump, de fapt, dă o pedeapsă OMS-ului care a omorât oameni? Este inacceptabil ceea ce faceți, încălcând și Convenția de la Oviedo, încălcând drepturile pacientului. Inacceptabil! 3-0392-0000 Catarina Martins (The Left), Resposta segundo o procedimento «cartão azul». – Senhora Deputada, percebo que de ciência não gosta, de conspirações gosta. Devo dizer‑lhe o seguinte: quando morrem crianças com doenças evitáveis por vacinas, porque negacionistas negam vacinas, estão a fazer a política da morte. Quando Bolsonaro, no Brasil, negou o oxigénio necessário para responder à COVID e negou vacinas, estava a fazer a política da morte. A extrema‑direita tem centenas de milhares de mortes a seus pés durante o período da COVID e devia ter vergonha de falar. 3-0393-0000

    PLENARY SITTING OF 2025-02-12 · READ THE VERBATIM REPORT

  41. É por aqui: combater o fascismo, o autoritarismo, o negacionismo. Ser a campeã do clima, da saúde, dos povos. A União Europeia é a segunda economia do mundo. As escolhas que fazemos aqui e agora terão um impacto planetário. (A oradora aceita responder a uma pergunta «cartão azul») 3-0391-0000 Diana Iovanovici Şoşoacă (NI), întrebare adresată conform procedurii „cartonașului albastru”. – Cred că nu realizați ce acuzații faceți, în condițiile în care Organizația Mondială a Sănătății este un grup infracțional organizat pentru crime împotriva umanității și acest lucru s-a demonstrat foarte clar în plandemie, atunci când Organizația Mondială a Sănătății a dispus purtarea unei măști care nu ne apăra de nimic, decât făcea afaceri, și vaccinare obligatorie, cu un vaccin care a omorât oameni și a făcut-o pe Ursula să facă enorm de mulți bani.

    PLENARY SITTING OF 2025-02-12 · READ THE VERBATIM REPORT

  42. Senhora Presidente, Trump, como toda a extrema‑direita, despreza a vida e, sobretudo, despreza o povo. Quem for rico acabará por se salvar, todos os outros são dispensáveis. O Acordo de Paris, a Organização Mundial de Saúde e a ajuda humanitária internacional são mecanismos globais de proteção da vida humana. Abandoná‑los é a política da crueldade que despreza quem morre nos incêndios e inundações, quem morre à fome, quem morre por falta de vacinas ou de tratamento médico. Uma política embrulhada num discurso negacionista e conspiracionista com demasiados aliados na Europa. Os mesmos que se anunciam como pró‑vida para controlar e humilhar mulheres, fazem todos os dias a política da morte. Combatê‑los, Senhora Comissária, é a nossa maior responsabilidade. Querem saber como se pode afirmar a Europa face aos Estados Unidos ou à China?

    PLENARY SITTING OF 2025-02-12 · READ THE VERBATIM REPORT

  43. Sem carreiras dignas, com salários baixos e condições e horários de trabalho desumanas, não espanta que o interesse das jovens gerações pelas profissões da saúde tenha vindo a descer. Senhora Comissária, fazer de conta que o problema é a formação, ou a mobilidade, é recusar o debate fundamental. Este é o tempo de recuperar salários e carreiras. E não, não há digital que dispense trabalhadores da saúde. 2-0203-0000

    PLENARY SITTING OF 2025-02-11 · READ THE VERBATIM REPORT

  44. Senhor Presidente, faltam trabalhadores da saúde porque se cortou nos trabalhadores. Afinal, o que pensava a União Europeia que ia acontecer quando mandou os Estados-Membros cortar na despesa estrutural, incluindo a da saúde? Os problemas de saúde não diminuíram, pelo contrário. Com o envelhecimento da população, ritmos de trabalho muito intensos, crescente poluição, alterações climáticas, as doenças crónicas e outras só aumentaram. O custo dos medicamentos, equipamentos e dispositivos de saúde também não diminuiu. A absoluta fé no mercado permitiu às grandes farmacêuticas e corporações lucrarem milhões, cobrando cada vez mais aos Estados. Uma chantagem inaceitável que a União Europeia aceita sem pestanejar. O corte da despesa ficou, portanto, nos trabalhadores.

    PLENARY SITTING OF 2025-02-11 · READ THE VERBATIM REPORT

  45. Senhor Comissário, ao permitir as criptomoedas a pretexto da regulação, as instituições europeias estão a normalizar a burla, contribuindo para enganar cidadãos e, ao permitir aos bancos a constituição de carteiras de criptoativos, estão a criar um mecanismo crescente de contágio aos mercados, ignorando até os avisos do FMI. Na crise do Silicon Valley Bank, já tivemos um cheiro deste mecanismo. Sejamos claros: regular as criptomoedas tem de ser proibir as criptomoedas, impedir os bancos de as comprar, proteger as pessoas da burla, evitar a próxima crise financeira. 4-0089-0000

    PLENARY SITTING OF 2025-01-23 · READ THE VERBATIM REPORT

  46. Senhora Presidente, todas as épocas tiveram as suas bolhas e fraudes financeiras. Hoje, são as criptomoedas, uma burla disfarçada de investimento, que gera uma montanha de poluição sem produzir um alfinete. Sem surpresa e sem escrúpulos, Trump acaba de anunciar a criação da sua própria criptomoeda, que será regida pelas regras que o próprio criará como presidente dos Estados Unidos. Como em qualquer esquema de pirâmide, só os criadores, como Trump, sairão sempre cheios de dinheiro, mas, neste caso, dinheiro real, euros, dólares. Os incautos e deslumbrados vão perder tudo.

    PLENARY SITTING OF 2025-01-23 · READ THE VERBATIM REPORT

  47. A esperança para a paz e a justiça continua a residir numa maioria social que mantenha a exigência de liberdade para a Palestina e obrigue as instituições, incluindo este Parlamento, a fazer alguma coisa de decente. 1-0093-0000

    PLENARY SITTING OF 2025-01-20 · READ THE VERBATIM REPORT

  48. Senhor Presidente, as imagens da alegria da população palestiniana com o cessar-fogo, ou das famílias das três reféns libertadas, criam esperança. Mas nada está garantido e falta tudo o resto. Temos de garantir que não se volta atrás e não podemos aceitar a continuidade da ocupação ilegal. Trump e Biden disputam quem tem mais créditos no acordo, mas são ambos cúmplices do genocídio. Netanyahu continua impune, apesar do mandado de captura internacional. A União Europeia continua sem reconhecer o genocídio e mantém o acordo de associação com Israel. Enquanto isso, Israel mantém as leis que impedem a ação da UNRWA, a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina. Mesmo aqui, há quem queira cortar-lhe o apoio no momento em que mais precisa de reforço.

    PLENARY SITTING OF 2025-01-20 · READ THE VERBATIM REPORT