Sebastião Bugalho
Member of the European Parliament · PPE · PT
“Uma Europa que ambicione sobreviver à mudança terá de responder a essa pergunta hoje. (O orador aceita responder a uma pergunta «cartão azul») 2-0163-0000 João Oliveira (The Left), Pergunta segundo o procedimento «cartão azul».”
“Senhor Presidente, no dia em que homenageamos quem construiu a União como a conhecemos hoje, debatemos neste Parlamento como responder a um mundo diferente daquele que viu a Europa nascer. Quando ainda não vislumbramos por completo o que está atrás do horizonte, alicerçamos da nossa história o que projetamos para futuro.”
“Poucos políticos europeus terão mantido uma proximidade tão contínua com três administrações americanas diferentes. Há dias, o mesmo Cavaco Silva afirmou algo nunca antes dito no meu país e na maioria dos nossos Estados-Membros: que a instabilidade no Atlântico nos obriga a pensar uma defesa separada da NATO.”
“Ou isto são apenas desculpas de pretexto para encaminhar no mesmo sentido as políticas neoliberais e militaristas que temos visto nos últimos anos? 2-0164-0000 Sebastião Bugalho (PPE), Resposta segundo o procedimento «cartão azul». – Eu respondo-lhe com factos.”
“Madam President, Madam High Representative, este foi o primeiro parlamento no mundo a reconhecer a vitória do movimento democrático venezuelano. Fizemo-lo em 2024, contra críticos e descrentes. Fizemo-lo, sobretudo, porque tínhamos de o fazer. Devíamo-lo aos oito milhões de venezuelanos que saíram do seu país em 12 anos.”
“Nós não nos lembrámos da Venezuela no dia 3 de janeiro e não nos esquecemos da Venezuela depois de 3 de janeiro. Senhora Vice-Presidente, eu cumprimento-a pela sua posição. Podemos discordar de como Nicolás Maduro foi removido de solo venezuelano, mas não negamos um facto: a Venezuela está melhor sem ele.”
The complete record
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“Portanto, no fim do dia, Senhor Deputado, sim, é por causa da regra da unanimidade que a União Europeia não tomou a sua posição, por exemplo, sobre Israel. Exatamente — foi mesmo a regra da unanimidade, por isso é que temos de a mudar. 2-0165-0000”
“Ou isto são apenas desculpas de pretexto para encaminhar no mesmo sentido as políticas neoliberais e militaristas que temos visto nos últimos anos? 2-0164-0000 Sebastião Bugalho (PPE), Resposta segundo o procedimento «cartão azul». – Eu respondo-lhe com factos. O senhor deputado pergunta se é a regra da unanimidade no Conselho que impediu até agora o Conselho e a própria Comissão de ter uma posição mais aguerrida, mais séria, mais assertiva sobre o direito internacional, por exemplo, na questão de Gaza — que sei que lhe é muito cara, como também é a mim, como o senhor deputado sabe. Eu respondo-lhe: sim, foi a unanimidade, porque, sim, a presidente da Comissão já propôs sanções e uma palavra mais dura. Sim, a alta representante já propôs sanções e uma palavra mais dura.”
“Uma Europa que ambicione sobreviver à mudança terá de responder a essa pergunta hoje. (O orador aceita responder a uma pergunta «cartão azul») 2-0163-0000 João Oliveira (The Left), Pergunta segundo o procedimento «cartão azul». – Senhor Deputado Sebastião Bugalho, é a regra da unanimidade que impede a União Europeia de condenar as violações do direito internacional pelos Estados Unidos na agressão que promoveram ao Irão com Israel? É a regra da unanimidade que impede a União Europeia de condenar e ter uma atitude firme de denúncia do genocídio que está em curso na Palestina? É a regra da unanimidade que impede a União Europeia de tomar posição relativamente ao caminho belicista e militarista que está a ser desenvolvido pelo mundo todo, incluindo com a corrida aos armamentos dentro da própria União Europeia?”
“Poucos políticos europeus terão mantido uma proximidade tão contínua com três administrações americanas diferentes. Há dias, o mesmo Cavaco Silva afirmou algo nunca antes dito no meu país e na maioria dos nossos Estados-Membros: que a instabilidade no Atlântico nos obriga a pensar uma defesa separada da NATO. Na mesma semana, o primeiro-ministro polaco, talvez o mais atlantista dos que se sentam no Conselho, veio dizer que já não acredita no artigo 5.º como antes. Meus caros, quando aqueles que ajudaram a construir este mundo nos vêm dizer que ele acabou, convém ouvi-los. Devemos mesmo fazer a pergunta mais desconfortável de todas: se um de nós sofresse uma invasão hoje, de que nacionalidade seria o primeiro soldado a vir em nosso socorro? E de que nacionalidade não seria?”
“Senhor Presidente, no dia em que homenageamos quem construiu a União como a conhecemos hoje, debatemos neste Parlamento como responder a um mundo diferente daquele que viu a Europa nascer. Quando ainda não vislumbramos por completo o que está atrás do horizonte, alicerçamos da nossa história o que projetamos para futuro. Há respostas a dar e mudanças a não adiar. Nada o ilustra melhor do que estarmos a discutir nas últimas semanas não o que vamos dizer a Moscovo para defender a Ucrânia, mas qual de nós vai a Moscovo para defender a Ucrânia. Escutemos com atenção os laureados desta manhã. Cavaco Silva, primeiro-ministro dez anos, chefe de Estado outros dez, foi o último chefe do Governo português recebido na Sala Oval, mais do que uma vez. Eu não era nascido, passaram 30 anos.”
“Nós não nos lembrámos da Venezuela no dia 3 de janeiro e não nos esquecemos da Venezuela depois de 3 de janeiro. Senhora Vice-Presidente, eu cumprimento-a pela sua posição. Podemos discordar de como Nicolás Maduro foi removido de solo venezuelano, mas não negamos um facto: a Venezuela está melhor sem ele. O que não podemos permitir é que a sua queda se limite a uma mudança de rosto e não a uma mudança de rumo. Se há dois anos condenámos aqui quem usurpou eleições, temos hoje a obrigação de defender aqueles que as ganharam. A Venezuela não é petróleo, não é ouro e não é um protetorado. A Venezuela é um país há demasiado tempo à espera da liberdade. Que não espere mais por ela. (O orador recusa uma pergunta «cartão azul» de Bruno Gonçalves) 2-0395-0000”
“Madam President, Madam High Representative, este foi o primeiro parlamento no mundo a reconhecer a vitória do movimento democrático venezuelano. Fizemo-lo em 2024, contra críticos e descrentes. Fizemo-lo, sobretudo, porque tínhamos de o fazer. Devíamo-lo aos oito milhões de venezuelanos que saíram do seu país em 12 anos. Devíamo-lo aos 12 milhões de venezuelanos que votaram contra o medo, contra a opressão, contra a ditadura. Devíamo-lo a mais de 1 600 presos políticos até hoje por libertar. Devíamo-lo a María Corina Machado, que, na clandestinidade, nunca desistiu do seu povo. Devíamo-lo ao presidente eleito, Edmundo González, que este Parlamento recebeu em boa hora. Para nós, já era claro que o futuro dos venezuelanos só pertence aos venezuelanos, que o seu destino é e só pode ser a democracia.”
“To be a European is to be a socialist and applaud the Nobel Peace Prize, like the President of the Council did, is to come from the smallest Member State and to represent all the Parliament like our President does, is to be a German and hold the Netanyahu Government accountable, like the President of the Commission did. To be a European is to do the opposite of what everyone is expecting, but what everyone knows must be done, is to be a cohesion country and to have combativity as a priority. To be a European is to defend a border even when we're not sharing it, is to defend free elections even when we're not voting, is to defend a just peace even when we're not in the fighting. To be a European is to do the right thing when no one else will. In 2026, may we be more European. 3-0033-0000”
“Senhora Presidente, para quem olha o mundo como um jogo de soma zero, o crescimento dos outros é sempre uma derrota. Por isso é que há quem prefira uma Europa nacionalista ou dos nacionalismos. Uma Europa nacionalista não concluiria a União dos Mercados de Capitais ou a união bancária. Uma Europa nacionalista deixaria o monopólio do futuro do outro lado do Atlântico. A questão não é «porque mudaram os nossos aliados?», é «o que faremos nós, agora?» E responde-se a essa dúvida com a pergunta mais simples de todas: o que é ser europeu hoje? What it is to be a European today.”
“O seu plano prevê o uso do Fundo Social Europeu para apoiar estudantes desfavorecidos; desafio-o a ir mais longe e a projetar uma garantia europeia para a primeira habitação jovem. O seu plano propõe um plano de desburocratização para 2027, o que quer dizer que só entraria em vigor no final do seu mandato e do meu. Temos de fazê-lo para ontem. O seu plano abre a porta a novos mecanismos financeiros. Senhor Comissário, não tenha medo de os usar. Perante 60 % de aumento de preços numa década, não há razão para a habitação não ter uma nova janela no InvestEU. Ursula von der Leyen afirmou neste púlpito: «Se é uma preocupação dos europeus, tem de preocupar a Europa.» Agora é tempo de a Europa, através dos Estados-Membros, responder a essa preocupação. Há oito anos reconhecemos a habitação como direito social.”
“Senhora Presidente, Senhor Comissário, o plano de habitação acessível apresentado hoje não é um mau plano. Combate a especulação, mas respeita o mercado. Dinamiza o setor, mas não esquece os mais desfavorecidos. Ajuda os europeus e ajuda os Estados-Membros a ajudarem os europeus e dá, finalmente, respostas. Dez mil milhões de EUR adicionais para combater a crise habitacional nos próximos dois anos. Mas, Senhor Comissário, nós pedimos-lhe ambição. Se já contamos com 43 mil milhões de EUR em fundos existentes, o próximo quadro financeiro pode e deve aumentar as verbas para a habitação. Se conseguimos mais 10 mil milhões de EUR até 2027, só responderemos a esta crise com o aumento para os sete anos seguintes.”
“Para a Europa, esta não pode ser uma resposta aceitável. A solução não passa por ameaças de intervenção externa, mas também não pode passar por fingir que nada se passa. A Nigéria é a maior democracia africana. A sua primeira-dama é pastora evangélica. O presidente do Senado é católico, como eu. São estes interlocutores que temos de procurar, pressionar e preservar para que façam mais pelas comunidades cristãs do seu país. Que o Parlamento e a Comissão não as esqueçam. 3-0194-0000”
“Senhora Presidente, Madam Commissioner, este Parlamento terá perspetivas diferentes sobre aquilo que se está a passar na Nigéria, mas há algo indesmentível: os cristãos estão a morrer na Nigéria como em nenhum outro local no mundo, e a Nigéria tem de fazer mais para os proteger. Nos próximos meses, ouviremos várias versões sobre esta tragédia, que se trata de uma disputa de terras, do choque entre pastores muçulmanos e agricultores cristãos. Até o Vaticano - reparem bem -, em apenas um mês, viu o Cardeal Parolin referir-se ao que se passa na Nigéria como um conflito social para, um mês depois, o Papa Leão ter de vir pedir a libertação de estudantes católicos, alvo de sequestro. Falta clareza a este debate. Em Abuja, que visitei, disseram-nos «eles não queimam só igrejas, também queimam mesquitas».”
“We may not know what tomorrow will bring, but we know this: to defend Ukraine is not only to defend democracy and international law. To defend Ukraine is to defend Estonian schools, Lithuanian hospitals, Polish homes and Finnish families. To defend Ukraine is to defend Europe. And nothing can be achieved – no Draghi report, no common markets, no secured borders – if we give in to Moscow. Europe must be willing to talk, but not to yield. We are eager for peace, as long as it does not mean more war. We may not know what tomorrow will bring, but we must be ready for it. 3-0065-0000”
“Mr President, colleagues, a Portuguese poet once said, 'I know not what tomorrow will bring'. Today we may not know what tomorrow will bring, but we know this: a true peace strengthens the invaded, not the invader. After four years of fighting, Ukraine has the right to keep what they fought so hard to defend and to recover what Russia took by force. After four years of fighting, we cannot tell the Ukrainians that Russia's war crimes will end with a Russian peace – they will not. If geography is not enough for us to see it, history should be. And in their history, every time Ukraine has agreed on disarmament, their sovereignty was compromised. Fellow Members, a peace deal that disarms Ukraine will only empower Putin. If we have no Ukraine in NATO, and no NATO in Ukraine, we will have Russia in Europe.”
“Tem de ser possível dizê-lo sobre os reféns, aprisionados e assassinados, como sobre os palestinianos, meses a fio, sem mantimentos e medicamentos. Tem de ser possível defender o direito de Israel a existir, sem se ser cúmplice de genocídio, como tem de ser possível condenar o que se passou em Gaza, sem se ser simpatizante de terrorismo. Senhores Deputados, se não for possível neste Parlamento, nesta Europa, não será possível em mais lado nenhum. 2-0036-0000”
“Senhora Presidente, Senhora Comissária, reconhecer a fragilidade do cessar‑fogo não nega a necessidade da paz. E admitir a dificuldade da paz não nega o direito de Israel a existir, nem o direito do povo palestiniano a mais do que sobreviver. Este plano não é uma vitória, mas é um avanço, liderado por quem se consegue fazer ouvir, mas potenciado por quem nunca desistiu de ver. O respeito pela autodeterminação da Palestina e pelo papel das Nações Unidas está neste plano. Não estaria sem a Declaração de Nova Iorque, aprovada em setembro na Assembleia Geral da ONU, e sem o multilateralismo que se empenhou na conferência franco‑saudita. A Europa foi fundada no valor da vida. Em Gaza, nos últimos dois anos, esse valor não existiu.”
“Madam President, my Polish friends, an attack on Poland's airspace is an attack on this European Union. When Russia crosses your border, they are assaulting each and every one of us, from Warsaw to Lisbon. There is a reason why those drones flew, but didn't shoot. They knew they would strike more than a building: they would strike the 27 democracies of this Union, the 32 armies of our common alliance and the resilience of the Polish people. Our Parliament may not be under Polish skies, but we have the obligation to defend our European soil wherever it may be. After Georgia, after Crimea, after Ukraine, we need to learn our lesson: there's no worse escalation than to let Putin act without a response. Today, to invest in defence is the ultimate form of European solidarity. Today, Poland needs more than words and we ought to give it to them.”
“Senhor Deputado, não há comissões externas, não há avaliações que possam passar um pano e apagar a responsabilidade e a crueldade daquilo que está a ser feito à frente dos nossos olhos, daquilo que está a acontecer em Gaza há 640 dias. O que é que falta mais para pôr fim àquele Acordo de Associação? 2-0337-0000 Sebastião Bugalho (PPE), Resposta segundo o procedimento «cartão azul». – Senhor Deputado, só posso interpretar a sua interpelação como uma interpelação que era para a Comissão Europeia e não para um deputado. Por uma razão muito simples: como o senhor deputado sabe, o governo da minha coligação apoia a suspensão desse acordo em qualquer decisão que seja tomada em sede de Conselho, depois da avaliação da Comissão. O senhor deputado diz-me: quanto mais tempo teremos que esperar por essa avaliação?”
“É, por isso, fundamental que a Comissão Europeia apoie uma missão de observação externa e independente, que afira as responsabilidades destas mortes na eventualidade de crimes de guerra. Num território fechado a observadores e jornalistas, qualquer avaliação de qualquer acordo ficará incompleta. Façamo‑la a tempo. (O orador aceita responder a uma pergunta «cartão azul») 2-0336-0000 João Oliveira (The Left), Pergunta segundo o procedimento «cartão azul». – Senhor Deputado Sebastião Bugalho, acabou de fazer referência aos crimes de guerra cometidos por Israel nos postos de distribuição de alimentos, onde estão a ser assassinados adultos e crianças a sangue‑frio. E a pergunta que lhe faço é muito direta: o que é que é preciso mais entrar‑nos pelos olhos dentro para exigir à União Europeia que suspenda o Acordo de Associação com Israel?”
“Senhora Presidente, em dezembro, o enviado da Comissão Europeia para a paz no Médio Oriente disse-nos: «Não podemos ficar surpreendidos se virmos um aumento do terrorismo nos próximos anos.» O relatório anual da Europol confirmou: as imagens de morte e destruição em Gaza impactam a segurança da União Europeia, com um apoio que já vai além da Al-Qaeda e do Estado Islâmico. Senhora Presidente, mesmo que a Europa não olhe para o Médio Oriente, o Médio Oriente olha para a Europa. A tragédia em Gaza é uma realidade para aqueles que estão em Gaza e um risco para aqueles que a ignorarem. No acordo de parceria entre Israel e a União Europeia, está previsto o respeito pelos direitos humanos como elemento essencial. Civis mortos junto de centros de ajuda humanitária põem em causa esse acordo.”
“Tudo isto já não é só uma ameaça à democracia espanhola, é uma tragédia no seio da União Europeia, que tem como primeiro critério, para quem quer fazer parte dela, o cumprimento do Estado de direito. É um atentado à natureza desta União e, sobretudo, ao exemplo que os seus Estados devem dar lá fora. Senhor Presidente, quando um partido do governo falha a Espanha europeia, não é Espanha que está a mais na Europa é o partido que está a mais no governo. Citando uma carta recente: «enfrentamos uma operação de demolição moral com perigo para a democracia». O autor da carta é o autor da demolição. 3-0302-0000”
“Senhor Presidente, há uma semana, Espanha e Portugal celebraram a sua adesão ao projeto europeu. É justo dizer que esse aniversário não existiria sem os dois partidos populares e os dois partidos socialistas que fundaram as nossas democracias. Num caminho com diferenças, mas muito em comum, há uma marca que nos aproxima e que distingue a nossa pertença europeia, o nosso internacionalismo, a nossa preocupação não apenas connosco, mas com aqueles que nos rodeiam. Na crise democrática vivida em Espanha, é isso que está em jogo. Um governo cuja Lei de Amnistia foi dada como ilegal pela Comissão Europeia. Um primeiro-ministro que recusa eleições por negar o seu futuro resultado. Um governo que descreve juízes como membros da oposição e que nomeia ministros para a Procuradoria-Geral do Estado.”
“Aqueles que têm as fronteiras como prioridade compreendam: não haverá segurança interna sem defesa. Hoje, há médicos europeus que estudam medicina não com batas, mas com coletes à prova de bala. Há unidades hospitalares construídas não nas nossas ruas, mas debaixo do nosso chão. A escolha é, portanto, simples: ou investimos em conjunto, ou falharemos um por um. Cumpramos em conjunto. 3-0036-0000”
“Senhora Presidente, Senhora Comissária, a cimeira da NATO, no final do mês, revelará duas coisas: a capacidade de a Aliança resistir a uma nova realidade e a capacidade de os seus membros cumprirem as metas acordadas entre si. Como europeu, acredito que corresponderemos a ambas. Como português, vindo do Estado-Membro mais distante da guerra, reafirmo aqui o compromisso de um governo que cumprirá os 2 % de investimento em defesa até ao final do ano e que não abdicará de cumprir o acordado nesta cimeira. Senhora Presidente, hoje é cada vez mais claro que o investimento em defesa é a forma mais urgente de solidariedade europeia. Aqueles que têm um Estado social como prioridade sabem que não haverá serviços públicos sem defesa. Aqueles que têm o crescimento como prioridade percebem que não haverá economia sem defesa.”
“Como democrata, como europeu e como cristão, cito o recém-eleito Leão XIV: «O preço desta guerra é pago todos os dias por crianças, por doentes, pelos mais velhos.» Que o nosso silêncio, que não existiu nem pode existir face às vítimas do Hamas, não ajude a pagar esse preço. Não nos esqueçamos que a resposta que damos hoje é aquela que poderemos dar aos nossos filhos quando nos perguntarem: «Pai, o que é que fizeste quando aquilo acontecia?» 1-0103-0000”
“Madam President, dear colleagues, «Israel bloqueou a entrada de ajuda humanitária em Gaza durante dois meses. A população passa fome.» Esta não é uma afirmação ativista, é uma declaração assinada por 17 Estados-Membros desta União, incluindo o meu. «Opomo-nos frontalmente à expansão militar de Israel. O sofrimento em Gaza é intolerável.» Esta não é uma afirmação ativista, é uma declaração assinada pelo Canadá, pelo Reino Unido e pela França. Do Tribunal Penal Internacional ao Tribunal Internacional de Justiça, os apelos legais — sublinho, legais —, à comunidade internacional, são impossíveis de ignorar e 53 000 vidas perdidas obrigam-nos a assumi-lo. Israel tem o direito a defender-se, mas não tem o direito a responder ao terror com horror.”
“Senhora Presidente, Senhor Presidente, há três anos, ninguém antecipou que a Europa se unisse em torno da Ucrânia, negando a invasão da Federação da Rússia. Três anos depois, a instabilidade americana faz com que muitos digam que a Europa não existe, que não conta, que não consegue. Caros colegas, nos últimos cem dias, as três instituições aqui reunidas mostraram que a Europa está aqui. À ameaça de tarifas respondemos no dia, defendendo a nossa economia. À ameaça de alívio de sanções respondemos na semana, com o 16.º pacote de sanções. À suspensão de apoio à Ucrânia respondemos na hora, não abdicando da liberdade ucraniana, da sua constituição, da sua soberania. A União tem provado que é possível reagir sem provocar, agir sem desistir. Fazemo-lo não para invadir ninguém, mas para impedirmos novas invasões.”
“Durante quatro anos, podemos não saber com o que contamos, mas, depois destes quatro anos, os nossos parceiros saberão com quem poderão contar. Com uma Europa que negoceia, mas não é chantageada, com uma Europa que é interlocutora, mas que não abdica do mercado, de uma ordem internacional com regras e responsabilidade. 2-0061-0000”
“Senhora Presidente, Senhor Comissário, o título deste debate pergunta «cooperação ou tarifas?», quando a maior economia do planeta acena com tarifas, não num ambiente de cooperação, mas de intimidação. Para uma união de Estados e para qualquer empresa, mais danoso do que uma tarifa é a ameaça de tarifas. Essa é uma imprevisibilidade que não é apenas económica, que vai da diplomacia ao mercado de trabalho, do poder de compra ao poder da força. Olhar as tarifas como quid pro quo, anunciando‑as num dia e suspendendo‑as no outro, fere a relação entre governantes, mas também o capital de quem investe e o salário de quem trabalha. Para uma economia social de mercado, como a nossa, uma tarifa é um imposto; para quem está do outro lado do Atlântico, uma tarifa é hoje uma sanção aos seus aliados.”
“Vi-os como vi este Parlamento levantar-se para aplaudir Edmundo González e as forças democráticas da Venezuela no dia em que receberam o Prémio Sakharov. Vi-os, como vi os países do G7 e a Comissão Europeia reconhecerem que os democratas ganharam, mas que a democracia ainda não ganhou na Venezuela. Eu vi, como este Parlamento viu. Esta quinta-feira não nos esqueçamos daquilo que vimos. 2-0473-0000”
“Senhor Presidente, Senhor Comissário, eu vi. Eu vi-os no avião para Caracas antes das presidenciais do ano passado. Eu vi as famílias venezuelanas que tiveram de fugir do país a regressarem para votar. Eu vi como eles seguravam as mãos naquele avião e choravam por medo. Não medo da repressão, não medo da intimidação, mas medo de que o seu voto não contasse. Eu vi-os, vi-os como vi Maria Corina Machado, semana após semana com paredes diferentes atrás de si, em cada videochamada, mudando de local para evitar ser capturada. Vi-os como vi o Centro Carter, observador independente das eleições, certificar a vitória do presidente eleito. Vi-os como vi o então alto representante assumir em outubro: sim, Maduro perdeu; sim, o candidato da oposição ganhou.”
“A questão é que lugar, que força terá esta União sentada a essa mesma mesa? A relação transatlântica pode ser mais transacional na economia, na energia, até na vertente militar, mas nem o direito internacional, nem o respeito pelos resultados eleitorais são transacionáveis para esta União. É nesse equilíbrio, entre convicção e pragmatismo, que teremos de preservar esta aliança, sem nos esquecermos de quem temos pela frente, mas, sobretudo, sem nos esquecermos de nós próprios. 2-0232-0000”
“Senhor Presidente, Caros Colegas, perante uma administração americana que só entende a lógica da força, a União Europeia não tem de se descaracterizar, mas tem um caminho evidente: fortalecer-se. Quanto mais vigorosa for a nossa economia, com a União dos Mercados de Capitais e a União Bancária concluídas, mais força teremos à mesa desta relação transatlântica. Quanto mais sólida for a nossa união de defesa, com a bússola estratégica a ser implementada e a nossa segurança assegurada, mais força teremos no seio da Aliança Atlântica. Quanto mais firmes forem as nossas democracias, com zero tolerância a interferências externas, digitais ou militares, mais força teremos quando negociamos e procuramos paz. Os Estados Unidos da América estarão sempre na mesa dessas negociações.”
“A União Europeia aumentou o financiamento para socorrer, do ponto de vista humanitário, aqueles que mais precisam dessa ajuda humanitária em Gaza. Portanto, Senhor Deputado, a minha fé mantém-se nesta União, e aquilo que lhe posso dizer é que a minha fé manter-se-á dentro desta União. 1-0100-0000”
“Porque se não for revertida essa decisão, não haverá assistência humanitária, que é cada vez mais urgente e necessária ao povo palestiniano. 1-0099-0000 Sebastião Bugalho (PPE), Resposta segundo o procedimento «cartão azul». – A decisão do Parlamento israelita é soberana e temos de viver e lidar com ela, como diz. Pergunta-me como é que temos de lidar com ela. Primeiro, percebendo-a. É verdade que a UNRWA encontrou sete elementos nos seus quadros que estiveram relacionados com o Hamas e é verdade que teve de os banir dessa organização. Mas, devo dizer-lhe, Senhor Deputado, com respeito, que este Parlamento, através da Comissão dos Assuntos Externos, escreveu uma carta à Comissão dos Orçamentos da União Europeia, onde aumentou a dotação orçamental para a UNRWA, porque a União Europeia está do lado certo.”
“A perda de vida diária, trágica e, demasiadas vezes, indiferente abriu feridas que radicalizaram toda uma geração no Médio Oriente. Isso é um desafio para a paz na região, mas também para a segurança no resto do mundo, incluindo para a Europa. Esta União Europeia foi fundada no valor da vida humana, na promessa de não esquecer nunca mais que cada vida tem um valor único, esteja onde estiver, nasça onde nascer. Como europeísta, não me esqueço dessa nossa promessa de memória do valor do multilateralismo e do direito internacional, que não pode ter um peso para os nossos inimigos e um peso para aqueles que temos como aliados. Enquanto o ódio não for enterrado, o imperdoável perdoado, e o valor da vida humana recuperado, as armas voltarão a levantar a voz. Que a nossa voz fale mais alto!”
“Senhor Presidente, para que as vozes se oiçam é preciso que as armas se calem. Foi o que aconteceu ontem na Faixa de Gaza. Hoje, sobra-nos o silêncio e há que aproveitá-lo para que os reféns possam ser libertados, e a catástrofe humanitária palestiniana seja aliviada o mais depressa possível. Mas este é também um silêncio que nos obriga a refletir. Quinze meses depois do horrendo atentado de outubro, a resposta israelita foi suficiente para garantir a Israel que não voltará a viver uma situação da mesma vulnerabilidade. Mas também sabemos, sendo de direita ou sendo de esquerda, que essa resposta teve custos e que terá consequências. A popularidade da solução de dois Estados em Israel está em mínimos históricos, e toda a diplomacia do mundo será pouca sem esse ponto de partida.”