Marta Temido
Member of the European Parliament · S&D · PT
“Senhora Presidente, Senhora Comissária, «as ondas de calor extremo são uma emergência de saúde pública», disse ontem o diretor regional da OMS Europa. Nós já o sabíamos. As temperaturas elevadas têm um impacto direto no aumento da morbilidade e também da mortalidade.”
“Para muitos neste hemiciclo, basta olhar para ele, os incêndios são uma coisa que acontece porque as ganadarias foram terminadas, as doenças transmitidas por vetores acontecem porque vêm nuns aviões, de uns sítios estranhos, que trazem uns mosquitos a bordo. E as alterações climáticas são ideologia.”
“Senhor Presidente, na madrugada da passada quinta-feira, as forças russas lançaram drones e mísseis sobre Kiev, num ataque que o presidente da câmara descreveu como «o mais massivo contra a capital». Alguns de nós tinham acabado de regressar da Ucrânia, de mais uma reunião da Comissão Parlamentar de Associação.”
“Um país perante o qual eu, hoje, coraria de vergonha com as palavras de alguns deputados nesta casa, que invocam os pequenos interesses dos seus países e os seus medos.”
“Senhora Presidente, Senhora Comissária, depois de mais de uma década de torpor, um novo alargamento da União Europeia está finalmente no horizonte, com o Montenegro na vanguarda do processo.”
“Kako mislite, zapravo, da će najednom izgubiti, primjerice Srbija ili Rusija, taj interes? I što bi mi s razine Europskog parlamenta mogli učiniti u tom slučaju? Dakle, nemojte nikako zaboraviti da njihov interes jest upravo odmaknuti Crnu Goru od proeuropskih politika i proeuropskog puta, a Crna Gora je na najboljem putu.”
The complete record
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“Senhora Presidente, Senhora Comissária, quero expressar a minha profunda preocupação com as condições de detenção dos cidadãos espanhóis Javier Marañón Montero e David Rodríguez Ballesta na Guiné Equatorial. Existem sérios indícios de violação dos direitos fundamentais de defesa e de falta de transparência no processo judicial, o que suscita legítimas dúvidas sobre o respeito pelo Estado de direito neste país, estando os detidos sem acesso a defesa e em isolamento prisional desde abril. O Sr. Javier Marañón Montero corre, aliás, sério risco de vida na sequência de uma greve de fome. Um ato desesperado que reflete a gravidade da situação.”
“Segundo, recordamos que melhorar a qualidade de vida pelo resultado do seu trabalho foi sempre a expetativa, a grande promessa que as democracias europeias fizeram às suas classes médias — daí os ganhos que precisamos de alcançar em competitividade para reforçar o Pilar Europeu dos Direitos Sociais e outros. E por isso a minha pergunta: porquê continuarmos a insistir em que o combate às migrações se faz por muros e não pela regulação dos mercados de trabalho? É a coerência nos valores que nos está a falhar. 3-0100-0000”
“Senhora Presidente, Senhora Presidente da Comissão, no seu discurso, referiu que precisávamos de estar unidos, mas temos de estar unidos em torno das prioridades certas, daquelas que respondem às angústias de milhões de cidadãos europeus, e eles têm sido claros em cada Eurobarómetro, e também nas ruas, quanto a Gaza. Por isso, somos muito claros sobre aquilo que esperamos. Primeiro, os nossos cidadãos elegeram a paz como principal valor e priorizam a defesa na ação europeia — daí a necessidade da nossa autonomia estratégica. Precisamos de poder fazer escolhas e, para isso, precisamos de ser livres. E por isso lhe pergunto: como é possível que o acordo comercial com os Estados Unidos da América inclua os compromissos que inclui em matéria de aquisição de equipamentos militares e de gás?”
“É, assim, essencial que a União Europeia reforce o seu apoio político, económico e em matéria de segurança, ajudando a Moldávia a resistir. Como disse hoje a presidente Sandu, a Moldávia é o laboratório, mas nós somos o alvo — não nos esqueçamos disso. Contamos com o seu trabalho, Senhora Comissária. 2-0456-0000”
“Presidente, Senhora Comissária, a Moldávia simboliza hoje a escolha e o compromisso de todo um povo com um futuro europeu. Não apenas porque essa foi a vontade que os seus eleitores exprimiram no referendo de há um ano sobre a inclusão na Constituição da via pró-europeia, mas também porque, perante a constante interferência maligna da Rússia e as várias ameaças híbridas — e falo apenas do corte de abastecimento energético pela Rússia à região da Transnístria no início do inverno —, o país mantém-se firmemente comprometido com o processo de reformas tendente à integração europeia. As próximas eleições legislativas, de 28 de setembro, serão um momento decisivo para consolidar este caminho. Não é, por isso, surpreendente o receio de novas campanhas de desinformação, de ciberataques, de compra de votos.”
“O risco de fratura da sociedade civil e de radicalização das forças políticas pró- e anti-União Europeia é real e perigoso. E não será só o futuro europeu da Sérvia que dará um passo atrás se isso acontecer, mas também as nossas expectativas políticas de alargamento. 2-0432-0000”
“Senhora Presidente, Senhora Comissária, na Sérvia, os confrontos entre manifestantes, sobretudo jovens estudantes, e os apoiantes do Partido Progressista Sérvio e do presidente Vučić sucedem-se desde há quase um ano, quando aconteceu a tragédia de Novi Sad. A exigência inicial de apuramento de responsabilidades transformou-se em denúncia do autoritarismo, da corrupção, e na exigência de eleições antecipadas, fazendo subir a intensidade da repressão policial, que o comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa já classificou como desproporcional. É, por isso, preciso que as instituições europeias condenem claramente esta situação, apelem para a urgente redução das tensões e se envolvam na mediação do conflito, para que o respeito pelas regras do Estado de Direito seja reposto.”
“A partilha de dados florestais para a gestão nacional é essencial para proteger as florestas, para proteger as pessoas. Sem elas, as nossas lágrimas serão apenas lágrimas de crocodilo sobre muito sofrimento. 2-0211-0000”
“O apoio da União Europeia foi fundamental no combate — e não foi só o meu país que precisou da intervenção dos meios do mecanismo europeu. Mas, por muito eficiente que seja um país ou a União Europeia na resposta a incêndios rurais, a outras ameaças florestais transfronteiriças, a melhor chave está na prevenção. Para tal, é preciso conhecer os territórios, as florestas, a sua cartografia, as suas características. Nós estamos a poucos dias da votação nas Comissões ENVI e AGRI da proposta de regulamento europeu que cria um quadro de monitorização das florestas, e aquilo que foi uma proposta ambientalmente progressista da Comissão, baseada no conhecimento, corre o risco de ser esvaziada pelo Parlamento Europeu depois de o ter sido pelo Conselho.”
“Senhor Presidente, Senhor Comissário, caros colegas, os incêndios rurais sempre estiveram presentes num país com floresta mediterrânica, como o meu, Portugal, mas as alterações climáticas estão a acontecer cada vez mais depressa, com repetição de fenómenos meteorológicos extremos e num quadro nacional do mais elevado número de ignições de entre todos os Estados-Membros. Depois de 2021, passámos a investir mais em prevenção do que em combate e verificámos diminuição da área ardida até 2025. Este ano, Portugal voltou a viver o pesadelo dos incêndios rurais. Mais de 274 000 hectares de área ardida, no pior ano desde que, em 2017, não só arderam 540 000 hectares, como perderam a vida 116 pessoas. Sabugal, Covilhã, Trancoso, Ponte da Barca, o Norte e o Centro de Portugal foram mais uma vez devastados pelo fogo este ano.”
“Perdemos a autoridade moral perante terceiros países, perante os nossos concidadãos. Como fez na Ucrânia, Senhora Alta Representante, apelo para que a União Europeia possa voltar a estar do lado certo da história em Gaza, na exigência de um cessar-fogo imediato, na entrada de ajuda alimentar e na concretização da solução de dois Estados. 2-0124-0000”
“Senhora Presidente, senhora Alta Representante, caros colegas, Gaza está a morrer de fome diante dos nossos olhos e com ela a credibilidade das instituições europeias, individual e coletiva. Nós falamos de valores, mas aceitamos a violação sistemática do direito internacional, com as crianças de Gaza condenadas à fome infligida, o disparo contra civis nas filas de ajuda alimentar e o bombardeamento repetido de serviços de saúde. Nós aplicamos sanções financeiras contra a Rússia, mas adiamos a suspensão do acordo comercial com Israel, a interrupção das trocas comerciais com os colonatos e o congelamento da compra e venda de armas. Reconhecemos todos os indícios e sinais de que um genocídio se desenrola em Gaza, mas não queremos usar a palavra. Como é possível que a Europa, que jurou «nunca mais», esteja aqui hoje outra vez?”
“Anunciou‑se que a Comissão está a analisar a necessidade de rever o Acordo de 2014 para a aquisição de vacinas e também isso é necessário. Caros colegas, quem pensa que podemos enfrentar ameaças ou crises, sanitárias ou outras, sem coordenação, sem o apoio da ciência, sem partilhar informação, não percebeu mesmo nada daquilo que aconteceu nos últimos anos no nosso mundo. 3-0412-0000”
“Senhor Presidente, Senhora Comissária, caros colegas, sabemos que as «lições aprendidas» com a pandemia da Covid‑19 permitiram robustecer a União Europeia. Robustecer a nossa preparação para responder a ameaças ou crises sanitárias. Mas há ainda muito para fazer. Ao nível da literacia dos cidadãos. Também ao nível da aceleração do desenvolvimento de medicamentos, de testes, de vacinas contra as principais ameaças, sem esquecer a garantia da sua disponibilidade. Por isso, cumprimento o trabalho da HERA e da Comissão refletido na Estratégia para a Constituição de Reservas na área das contramedidas médicas. Em particular, a criação de um centro europeu de diagnóstico e de um centro europeu de terapêutica, que contribuirão para a autonomia estratégica da União e para a fixação de profissionais especializados.”
“É o caso do Regulamento relativo a um quadro de monitorização da resiliência das florestas europeias, atualmente em debate nesta casa e relativamente ao qual o Conselho adotou uma posição comum que esvazia a proposta da Comissão, uma boa proposta, e que algumas forças políticas nesta casa estão disponíveis para rejeitar. Sem dados fiáveis, atualizados e comparáveis sobre as florestas europeias, não haverá políticas de preparação e de proteção. Como é possível sermos tão incoerentes? 3-0337-0000”
“Senhora Presidente, Senhora Comissária, Senhora Ministra, na União Europeia, este ano, as temperaturas, as áreas ardidas e o número de incêndios já são superiores à média. E no meu país, em Portugal, regista‑se uma atividade significativa de incêndios, embora ainda estejamos no início do verão. Esta realidade é e será cada vez mais frequente e ela é uma das razões para reforçar a preparação a nível europeu, porque os fenómenos meteorológicos extremos não conhecem fronteiras. A recente Estratégia de Preparação da União Europeia insere‑se neste contexto. Ela é uma boa estratégia, coerente com os esforços desenvolvidos que neste verão se traduzem no reforço de bombeiros, de equipas terrestres e de aviões alocados coordenadamente. Mas essa coerência não se reflete em outras decisões.”
“Nós associamos sempre duas palavras: preparação para a guerra e reforço da nossa segurança, mas também paz. E ela significa isso tudo que referiu: educação, saúde, Estado social mais forte. 3-0038-0000”
“É que, quer nas intervenções do presidente do Conselho Europeu, António Costa, quer nas intervenções da senhora presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, que hoje aqui ouvimos, ouvimos um conjunto de facilidades dirigidas à indústria do armamento, aos gastos militares, ao ritmo dos tambores da guerra da NATO, todo um sem‑fim de vantagens e de possibilidades para aumentar gastos militares, mas nem uma palavra sobre aumentos de salários, resposta à crise da habitação, acesso à saúde, acesso à educação, combate à pobreza (...) (a Presidente retira a palavra ao orador) 3-0037-0000 Marta Temido (S&D), Resposta segundo o procedimento «cartão azul». – Senhor Deputado, só lhe posso responder por mim própria e pela minha família política.”
“– Senhora Deputada Marta Temido, além das questões que referiu e com as quais estamos de acordo relativamente ao silêncio cúmplice desta reunião do Conselho Europeu com o genocídio em Gaza, há um outro aspeto sobre o qual queria colocar uma questão.”
“Estamos perante a existência de «dois pesos e duas medidas», se compararmos as posições tomadas pelos Chefes de Estado e de Governo quanto à invasão da Ucrânia — 18.º pacote de sanções — e à invasão de Gaza — que nem sequer reúnem consenso para acionar a revisão do Acordo de Associação com Israel. Mas é também desolador o silêncio quanto às denúncias das consequências da externalização do nosso controlo de fronteiras, nomeadamente nos países de trânsito do Norte de África. Realço positivamente a preocupação com a proteção dos tribunais internacionais e recordo que a Europa é, na essência, um projeto de paz e aí reside o seu futuro. (A oradora aceita responder a uma pergunta «cartão azul») 3-0036-0000 João Oliveira (The Left), Pergunta segundo o procedimento «cartão azul».”
“Senhora Presidente, Senhora Presidente do Conselho Europeu, Senhor Comissário, sem surpresa, as conclusões do último Conselho são reveladoras da dificuldade dos nossos Estados‑Membros em formar consensos progressistas. São de saudar os compromissos assumidos quanto ao apoio à Ucrânia, ao reforço da defesa e segurança europeias e à competitividade, mas são de lamentar a complacência em face do governo de Israel, a timidez da referência a uma diplomacia da paz e ao multilateralismo eficaz ou a adesão à externalização das políticas migratórias. É, sobretudo, angustiante o silêncio político perante a guerra na Faixa de Gaza.”
“– Senhor Deputado, estamos todos tão envergonhados com a recente postura da União Europeia como o senhor deputado e os europeus sabem disso. 2-0353-0000”
“Na Cisjordânia, não há reféns feitos pelo Hamas. Israel persegue, desloca forçadamente refugiados de campos de refugiados e assassina palestinianos com a sua política dos colonatos. O que está em curso é um genocídio, é uma limpeza étnica. E enquanto isto acontece, a União Europeia mantém o Acordo de Associação; continua a financiar, através dos fundos europeus da ciência, empresas israelitas de produção de armas. E a pergunta que lhe faço, Senhora Deputada, é se a senhora deputada se revê nesta política de cumplicidade da União Europeia, ou se, pelo contrário, entende que a União Europeia devia tomar uma ação firme para pressionar Israel para pôr fim ao genocídio do povo palestiniano. 2-0352-0000 Marta Temido (S&D), Resposta segundo o procedimento «cartão azul».”
“Nas filas do acesso a ajuda humanitária, agora nas mãos da Fundação Humanitária de Gaza, já morreram 500 pessoas e foram feridas 4000 na disputa por alimentos. Por isso, hoje, voltamos a fazer eco das vozes dos cidadãos europeus que questionam as nossas instituições. E perguntamos a cada um dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos nossos Estados-Membros que se vão reunir no próximo dia 15 de julho: Senhores Ministros, que posição vão tomar quando discutirem a questão da suspensão do Acordo de Associação? (A oradora aceita responder a uma pergunta «cartão azul») 2-0351-0000 João Oliveira (The Left), Pergunta segundo o procedimento «cartão azul». – Senhora Deputada Marta Temido, em Gaza, Israel usa a fome como arma de guerra e assassina adultos e crianças em ponto de distribuição de comida e o pretexto são os reféns feitos pelo Hamas.”
“Senhora Presidente, a situação no Médio Oriente continua a devolver‑nos a imagem do desrespeito pela ordem internacional e pelo multilateralismo, mas também a imagem do nosso fracasso coletivo. No Líbano, os termos do cessar‑fogo não estão a ser respeitados e Israel realizou novos ataques aéreos. No Irão, os bombardeamentos de Israel e dos Estados Unidos atrasaram o desenvolvimento de armas nucleares, provavelmente, mas levaram à suspensão da cooperação com a Agência Internacional de Energia Atómica e ao maior isolamento do país. E em Gaza, onde mais de 20 reféns israelitas permanecem nas mãos do Hamas, continua o epicentro da maior tragédia humanitária. Após 33 meses de guerra, todos os dias sucumbem pessoas com fome. A UNICEF refere 112 crianças internadas por dia por subnutrição.”
“As transferências populacionais forçadas, a limpeza étnica, a fome e a sede como armas de guerra, a destruição de serviços essenciais, a violação do direito internacional com a distribuição de ajuda humanitária por um proxy de Israel. De que mais precisam os nossos Estados‑Membros, os nossos países, para obterem a unanimidade necessária para suspender o Acordo de Associação com Israel? As nossas instituições podem querer desviar o olhar, mas os europeus... (o Presidente retira a palavra à oradora) 2-0559-0000”
“Senhor Presidente, Senhora Alta Representante, a escalada militar entre o Irão e Israel é, infelizmente, uma cortina de fumo sobre a imensidão da tragédia humanitária que prossegue em Gaza, sobre o abandono político dos reféns do Hamas, sobre os esforços diplomáticos para regressar ao cessar-fogo, à discussão sobre a situação dos dois Estados e ao respeito pela ordem e instituições internacionais, sobre a própria natureza dos regimes políticos do Irão e de Israel. Foi, portanto, com uma tristeza imensa que ouvi as palavras da senhora presidente da Comissão na abertura da Cimeira do G7: Israel tem o direito de se defender; o Irão é a principal fonte de instabilidade regional. Sobre Gaza, apenas silêncio.”
“É inaceitável que a proteção de civis e o acesso à ajuda humanitária sejam conduzidos sob o controlo militar de uma das partes do conflito. Por isso, hoje, repetimos apenas que a União Europeia tem uma pesada responsabilidade, e apelo à alta representante, ao presidente do Conselho e à presidente da Comissão para que ergam a sua voz em nome da imediata e completa abertura de corredores humanitários e façam uso da suspensão do acordo imediatamente. 1-0111-0000”
“Senhora Presidente, Senhor Comissário, dois meses!, desde há dois meses que a recusa de entrada de ajuda coloca toda a população de Gaza perante níveis agudos de insegurança alimentar: 20 % em condições de fome catastrófica, 71 000 crianças, 17 000 mães com malnutrição aguda — a antecâmara da morte. Entretanto, nas fronteiras, há filas de camiões carregados de ajuda humanitária que aguardam por autorização para entrar. Eu estive lá, em fevereiro, do lado egípcio da fronteira de Rafah; os camiões estavam parados e o cessar-fogo vigorava nesse momento. Ao longo da estrada, a ajuda humanitária aguardava, para ser entregue a conta-gotas. Neste cenário, a entrada de 100 camiões não é nada. A proposta da criação de corredores humanitários militarizados por Israel merece repúdio à luz do direito internacional.”
“Mas não esquecemos o muito que falta fazer: mais de 95 % das doenças raras não têm qualquer tratamento disponível no mercado e o tempo médio de diagnóstico são 5 anos. Por isso, neste mandato temos de acelerar o diagnóstico e o tratamento de doenças raras na União, mas temos sobretudo de comprar em conjunto, negociar em conjunto medicamentos órfãos. 4-0036-0000”
“Senhor Presidente, Senhor Comissário, caros colegas, foi há quase três décadas que o Parlamento e o Conselho adotaram um programa de ação em matéria de doenças raras — doença de Fabry, de Duchenne, de Behçet ou – especialmente presente no meu país, Portugal – doença de Corino de Andrade, patologias que representam pequeno número de casos na sociedade, mas colocam grandes dificuldades aos doentes, às famílias e aos sistemas de saúde nacionais. Por isso é tão necessário o novo Plano de Ação Europeu e que ele melhore agora o que já foi criado: a Plataforma Europeia para o Registo de Doenças Raras, as Redes de Referência Europeias, a autorização de medicamentos órfãos ou a capacitação de organizações de doentes.”
“O silêncio perante a instrumentalização política dos reféns do Hamas e os protestos em Jerusalém e Telavive, perante a morte de 50 000 palestinianos e o lento extermínio da população que ainda vive em Gaza, privada de tudo, até de água. O silêncio que lhe pedimos hoje que quebre, Senhora Alta Representante. Ajude‑nos a não perder a confiança nas nossas instituições. 2-0538-0000”
“Senhora Alta Representante, hoje quero falar‑lhe sobre o insuportável silêncio da União Europeia relativamente aos crimes do Governo do senhor Netanyahu. O silêncio em que os nossos Estados‑Membros se refugiam, quando nesta Casa pedimos a suspensão do Acordo de Associação com Israel, porque condiciona as relações comerciais ao respeito pelos direitos humanos e todos os dias eles são violados em Gaza e na Cisjordânia. O silêncio que a ouvimos, a si, manter na semana passada, quando lamentou a interrupção do cessar‑fogo entre Israel e o Hamas, sem nunca referir quem tantas vezes o violou e, por último, o quebrou. O silêncio a que nós próprios, como deputados ao Parlamento Europeu, somos forçados, quando questionados pela opinião pública da Palestina, de Israel e dos nossos países.”
“Como não podemos — ou não queremos — esquecer que a nossa posição no comércio internacional não pode ser conquistada fechando os olhos às violações dos direitos humanos e da ordem multilateral. E quanto a este tema e à voz que a União Europeia precisa de ter na cena internacional, as conclusões do Conselho continuam a ser dececionantes. 2-0059-0000”
“Senhora Presidente, Senhor Presidente do Conselho, Senhor Comissário, quero saudar as conclusões do último Conselho Europeu quanto à centralidade que atribuíram à agenda económica. Sabemos bem que o fortalecimento do Pilar Europeu dos Direitos Sociais depende da prosperidade da Europa, que só com mais crescimento podemos criar mais empregos, mais empregos de qualidade, e fortalecer a base industrial e a autonomia europeias. Por isso, apoiamos as três prioridades da nova agenda: simplificar, tornar a energia mais acessível para todos e melhorar a integração nos mercados. Lembramos bem os ganhos da agenda da simplificação administrativa em Portugal, mas rejeitamos completamente que se confunda simplificar e desregular. Não podemos esquecer que os mercados têm falhas e que compete ao Estado a sua correção para proteção de todos.”
“As feridas de décadas só começarão a sarar se construirmos uma solução baseada em dois Estados e em direitos iguais para israelitas e palestinianos. E, para isso, Israel e o Hamas precisam de voltar a avançar imediatamente para cumprir as fases subsequentes do acordo de cessar‑fogo. 2-0598-0000”
“Senhora Presidente, Senhora Comissária, o frágil cessar‑fogo entre Israel e o Hamas está num trágico impasse. Para pressionar, Israel cortou todo o fornecimento de eletricidade a Gaza (o que também impede o acesso a água potável dessalinizada) e suspendeu toda a entrada de ajuda humanitária. Nós não podemos continuar a assistir passivamente à degradação da vida em Gaza. Israel tem de voltar a permitir a entrada de ajuda humanitária — que não é um instrumento de pressão sobre o Hamas, mas um direito da população civil de Gaza. O prolongamento da guerra em Gaza só serve os interesses políticos e pessoais de Netanyahu, apoiado por uma coligação de extrema‑direita ultraortodoxa. As desrespeitosas propostas da administração Trump para o território só reforçam esta liderança, que está cada vez mais longe de representar todos os israelitas.”
“Precisamos de reconhecer que apenas com uma coordenação e investimento europeus comuns poderemos ser bem‑sucedidos nesta estratégia, e que a disponibilidade de medicamentos no mercado não serve os cidadãos europeus, se o acesso, sob o ponto de vista da comportabilidade financeira, estiver em causa. Sim, precisamos também de falar do preço dos medicamentos, e estes são aspetos dos quais não vamos desistir. 2-0274-0000”
“Senhora Presidente, Senhor Comissário, a proposta de lei dos medicamentos críticos é uma peça essencial da arquitetura da nossa segurança e defesa comuns, como aprendemos durante a pandemia da COVID‑19. Conhecemos, nos nossos países, a experiência da rutura de medicamentos vitais (como anestésicos, antibióticos, mesmo insulina), como conhecemos o diagnóstico das nossas fragilidades: dependência de menos de um punhado de origens geográficas em matérias‑primas e erosão da base industrial europeia. A nossa ação é urgente porque os resultados exigem tempo, e as respostas legislativas são mesmo a parte mais fácil daquilo que precisamos de fazer. Sim, precisamos de uma lista de medicamentos críticos, de stocks de contingência, de novas práticas de aprovisionamento público. Precisamos mesmo de investir no fabrico europeu. Mas não basta.”
“Da mesma forma que fomos capazes de o fazer na resposta à pandemia, também no investimento em segurança e defesa precisamos de maior solidariedade e coordenação entre os Estados-Membros, nomeadamente através de mutualização da dívida e de compras conjuntas. E, ao mesmo tempo, precisamos de fazer tudo para manter a mesma ambição de investimento nas áreas sociais e ambientais da União Europeia, que são a nossa razão de ser. Por último, precisamos de ser claros com os nossos cidadãos: o momento que vivemos é grave, e provavelmente não o ultrapassaremos sem sacrifícios. A paz justa que queremos para a Ucrânia é a paz que nos protegerá, enquanto sociedades democráticas e livres, a todos. 2-0100-0000”
“Senhora Presidente, Caro Presidente do Conselho, quero começar por saudar as conclusões do Conselho Europeu extraordinário da semana passada. Mais do que nunca, todos compreendemos que a segurança europeia está estreitamente ligada ao desfecho da guerra na Ucrânia. O rearmamento da União Europeia, nomeadamente para responder às ameaças híbridas, não é uma escolha, é uma emergência de dissuasão. A Ucrânia precisa de apoio imediato, incluindo da mobilização dos ativos russos congelados, e as conclusões do Conselho mostram a compreensão de que vivemos uma rutura histórica. Mas precisamos de ir mais longe.”
“Essa é a resposta que os cidadãos lá fora esperam da União Europeia e a única pela qual vale verdadeiramente a pena lutar. 3-0408-0000”
“E em relação às questões da saúde, pergunto‑lhe se não entende que a aposta no multilateralismo exige também que na própria União Europeia haja a consideração de outros mecanismos de solidariedade em relação a uma questão tão importante como esta e que, infelizmente, foi tão maltratada a propósito da situação da COVID. 3-0407-0000 Marta Temido (S&D), Resposta segundo o procedimento «cartão azul». – Senhor Deputado, o que me parece que se exige da União Europeia é que as vozes que hoje, esta tarde, ouvimos nesta Casa não sejam aquelas que triunfam no final do dia, sejam antes as vozes do apoio à responsabilidade comum ao respeito pelos outros, ao respeito pela vida humana, ao respeito pela ordem internacional, porque é por isso que nós viemos para a política, não para sermos «a América primeiro», não para sermos «os outros primeiro».”
“A saída americana da cena multilateral vai acelerar o realinhamento geopolítico com o reforço de protagonistas como a China e a Rússia. As instituições da União Europeia e os seus Estados-Membros têm, neste contexto, uma responsabilidade histórica, a de assumir a liderança da resistência e defesa de um mundo alternativo, comprometido com o multilateralismo, com a saúde global, com o desenvolvimento sustentável e com as pessoas, porque é por isso que nós aqui estamos. (A oradora aceita responder a uma pergunta «cartão azul») 3-0406-0000 João Oliveira (The Left), Pergunta segundo o procedimento «cartão azul».”
“Senhora Presidente, Senhora Comissária, Caros Colegas, o mundo que conhecemos nas últimas décadas mudou. O American First representa a hostilidade pela ordem multilateral. A saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris enfraquecerá pela segunda vez o compromisso global de combate às alterações climáticas. O abandono da Organização Mundial de Saúde retirará da Coordenação Global de Respostas a Emergências Sanitárias internacionais 330 milhões de pessoas, colocando em risco toda a população. Porque não nos esquecemos da lição de que ninguém está a salvo até que todos estejamos a salvo. E finalmente, a suspensão da ação da USAID terá como efeito imediato o agravamento da pobreza, da insegurança alimentar e da instabilidade com ondas de refugiados e de migrantes.”
“Segundo, em relação à questão do armamento, não tenho dúvidas de que a defesa da paz, às vezes, também implica o armamento. 2-0289-0000”
“É o de ir atrás da lógica militarista e da corrida aos armamentos que Donald Trump está a procurar impor por via da NATO — não só, mas também por via da NATO — ou, eventualmente, o caminho que a União Europeia deve fazer é o da rejeição do militarismo e da guerra que só pode conduzir os povos ao desastre. 2-0288-0000 Marta Temido (S&D), Resposta segundo o procedimento «cartão azul». – Senhor Deputado, duas coisas muito relevantes: em primeiro lugar, a resposta que a China acaba de dar àquilo que foi a retirada do apoio dos Estados Unidos à Organização Mundial de Saúde é um exemplo para esta Casa, na medida em que a China acabou de reforçar a sua intervenção financeira na Organização Mundial de Saúde para cobrir a retirada dos Estados Unidos. É isso que a União Europeia precisa de fazer.”
“– Senhora Deputada Marta Temido, fez referência na sua intervenção a dois aspetos sobre os quais a queria questionar: o da segurança e da defesa e o das questões relacionadas com as organizações internacionais. Uma das primeiras notícias das decisões de Donald Trump é, precisamente, a retirada dos Estados Unidos da Organização Mundial da Saúde. Certamente, estaremos de acordo de que essa é uma má decisão, porque, naturalmente, as questões da saúde a nível global exigem a concertação em organizações, como é o caso da Organização Mundial de Saúde. Mas, em relação à defesa em concreto, queria questioná-la sobre qual é, na sua opinião, o sentido que deve seguir a União Europeia.”
“Respeitamos inteiramente a escolha democrática dos cidadãos americanos e queremos que os Estados Unidos se mantenham como um parceiro privilegiado da União Europeia, mas não a qualquer preço. Não estamos disponíveis para prescindir dos nossos valores, dos nossos princípios, da nossa identidade, sobretudo quando está em causa a ingerência e a interferência tecnológica nas nossas democracias liberais. À União Europeia, a nós todos, a esta Casa, é exigido mais do que a gestão dos silêncios ou a contemporização. É exigido sentido de urgência, investimento na nossa autonomia estratégica e, também, sentido da consciência do nosso valor. (A oradora aceita responder a uma pergunta «cartão azul») 2-0287-0000 João Oliveira (The Left), Pergunta segundo o procedimento «cartão azul».”
“Senhor Presidente, Senhor Comissário, Senhora Ministra, a chegada de Trump à Casa Branca, o seu discurso inaugural e os primeiros decretos presidenciais mostram bem o que podemos esperar. A «América primeiro» de Trump mostra-nos a escolha pela fragilização da cooperação transatlântica em áreas como a defesa, o comércio ou as políticas climáticas. A referência à construção de uma sociedade cega à diversidade mostra-nos uma opção não só relativamente ao desrespeito pelos direitos individuais, como também, reflexamente, ao desprezo pelas organizações internacionais e pelo multilateralismo. Finalmente, a ideia de Trump, de que a melhor guerra travada é aquela em que os Estados Unidos não entram levanta questões sobre o compromisso dos Estados Unidos relativamente ao seu posicionamento global.”