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EUROPEAN PARLIAMENT · SITTING

Tiago Moreira de Sá

Member of the European Parliament · PfE · PT

IN THEIR OWN WORDS

Senhor Presidente, Senhora Comissária, na «Eneida», Virgílio lembra-nos que o sofrimento dos mortais interpela a consciência dos homens. Perante a dor humana, a Europa não pode virar o rosto. A nossa ajuda deve continuar a proteger os mais vulneráveis e aqueles que arriscam a vida para os socorrer.

PLENARY SITTING OF 2026-07-09 · READ THE VERBATIM REPORT

Com centenas de milhões de pessoas a necessitar de assistência, cada euro perdido em burocracia, opacidade ou dispersão é um euro subtraído a quem dele mais precisa. Porque a lição de Eneias permanece atual: a compaixão honra uma civilização, mas só a responsabilidade garante que ela perdure. 4-0023-0000

PLENARY SITTING OF 2026-07-09 · READ THE VERBATIM REPORT

Senhora Presidente, Senhora Comissária, Gaston Bachelard escreveu que o fogo é a maior ambiguidade da experiência humana. Desde que o primeiro homem contemplou uma chama, percebemos porquê. O fogo aquece e destrói; ilumina e consome; brilha no Paraíso e queima no Inferno. Mas, acima de tudo, o fogo foi sempre o símbolo da prova.

PLENARY SITTING OF 2026-07-08 · READ THE VERBATIM REPORT

Sempre que entram nas chamas para proteger os outros, as casas dos outros, as vidas dos outros, os bombeiros portugueses passam, uma vez mais, pela prova de fogo. É aí, face a face com as chamas, que se prova que aqueles homens e mulheres são autenticamente feitos de ouro. Portugal está a ferro e fogo.

PLENARY SITTING OF 2026-07-08 · READ THE VERBATIM REPORT

Senhor Presidente, onde estão as mulheres? Uma delegação política nunca entra sozinha numa sala. Traz consigo uma visão do mundo, os seus símbolos e a sua ordem moral. Onde estão as mulheres? Quando a União Europeia recebe os talibãs, recebe mais do que uma delegação, recebe um símbolo.

PLENARY SITTING OF 2026-07-06 · READ THE VERBATIM REPORT

Senhora Presidente, Senhora Comissária, «Enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria, livros como este não serão inúteis», escreveu Victor Hugo na nota introdutória a Os Miseráveis. Victor Hugo compreendeu que a miséria explica demasiado, mas não explica tudo. Em Os Miseráveis, ninguém é reduzido à sua miséria.

PLENARY SITTING OF 2026-05-20 · READ THE VERBATIM REPORT

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  1. Com centenas de milhões de pessoas a necessitar de assistência, cada euro perdido em burocracia, opacidade ou dispersão é um euro subtraído a quem dele mais precisa. Porque a lição de Eneias permanece atual: a compaixão honra uma civilização, mas só a responsabilidade garante que ela perdure. 4-0023-0000

    PLENARY SITTING OF 2026-07-09 · READ THE VERBATIM REPORT

  2. Senhor Presidente, Senhora Comissária, na «Eneida», Virgílio lembra-nos que o sofrimento dos mortais interpela a consciência dos homens. Perante a dor humana, a Europa não pode virar o rosto. A nossa ajuda deve continuar a proteger os mais vulneráveis e aqueles que arriscam a vida para os socorrer. Mas Eneias ensina-nos também que a verdadeira compaixão exige responsabilidade. Hoje, há mais trabalhadores humanitários mortos, mais fome, e o financiamento ao desenvolvimento regressou a níveis de há uma década. Perante esta realidade, a resposta da Comissão chega demasiadas vezes tarde e, frequentemente, acompanhada da mesma chaga: a ineficiência. A verdade, por mais incómoda, é esta: gastar mais não é ajudar melhor.

    PLENARY SITTING OF 2026-07-09 · READ THE VERBATIM REPORT

  3. Sempre que entram nas chamas para proteger os outros, as casas dos outros, as vidas dos outros, os bombeiros portugueses passam, uma vez mais, pela prova de fogo. É aí, face a face com as chamas, que se prova que aqueles homens e mulheres são autenticamente feitos de ouro. Portugal está a ferro e fogo. O Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia pode ajudar, mas só os bombeiros portugueses podem impedir que ardam 900 anos de existência. (O orador recusa uma pergunta «cartão azul» de Marta Temido) 3-0128-0000

    PLENARY SITTING OF 2026-07-08 · READ THE VERBATIM REPORT

  4. Senhora Presidente, Senhora Comissária, Gaston Bachelard escreveu que o fogo é a maior ambiguidade da experiência humana. Desde que o primeiro homem contemplou uma chama, percebemos porquê. O fogo aquece e destrói; ilumina e consome; brilha no Paraíso e queima no Inferno. Mas, acima de tudo, o fogo foi sempre o símbolo da prova. Em todas as culturas, a prova de fogo representa o teste decisivo, aquele que revela o verdadeiro valor. Foi assim que, durante séculos, se aferiu a autenticidade do ouro. Só o ouro verdadeiro resiste ao fogo. O ouro e o bombeiro partilham a mesma verdade essencial: não é o fogo que faz o ouro. Nem o bombeiro. O fogo apenas revela aquilo de que um e o outro são feitos.

    PLENARY SITTING OF 2026-07-08 · READ THE VERBATIM REPORT

  5. A pergunta que faço a esta Europa é, pois, a única pergunta que esta Europa devia ter feito àqueles homens. Onde estão as mulheres? 1-0171-0000

    PLENARY SITTING OF 2026-07-06 · READ THE VERBATIM REPORT

  6. Senhor Presidente, onde estão as mulheres? Uma delegação política nunca entra sozinha numa sala. Traz consigo uma visão do mundo, os seus símbolos e a sua ordem moral. Onde estão as mulheres? Quando a União Europeia recebe os talibãs, recebe mais do que uma delegação, recebe um símbolo. Recebe a chibata que rasga as mulheres, recebe o silêncio imposto às raparigas, recebe a ordem política e moral que expulsou da escola, do trabalho e da praça pública metade da criação. Onde estão as mulheres? Naquela delegação não havia uma única mulher e essa ausência não é um acaso. A desaparição da mulher é a forma como os talibãs se apresentam ao mundo e a nós. Onde estão as mulheres? Receber os talibãs não é receber uma delegação, é receber cinco chibatas e nenhuma mulher.

    PLENARY SITTING OF 2026-07-06 · READ THE VERBATIM REPORT

  7. É por isso que pertencemos a uma direita social: guardiã de uma tradição moral milenar que nos ensinou que a dignidade exige amparo, mas também emancipação. Milhões de seres humanos interpelam-nos do fundo da sua carência e do alto da sua dignidade. São eles a inspiração e a razão de ser da nossa existência e da nossa missão, que não é menor do que a de Victor Hugo no seu tempo. 3-0276-0000

    PLENARY SITTING OF 2026-05-20 · READ THE VERBATIM REPORT

  8. Senhora Presidente, Senhora Comissária, «Enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria, livros como este não serão inúteis», escreveu Victor Hugo na nota introdutória a Os Miseráveis. Victor Hugo compreendeu que a miséria explica demasiado, mas não explica tudo. Em Os Miseráveis, ninguém é reduzido à sua miséria. Quando o bispo Myriel acolhe Jean Valjean, não lhe oferece apenas um teto e lençóis: devolve-lhe as rédeas do seu destino. Quando Fantine se perde na degradação, não é julgada como fracasso moral, mas revelada como vítima de uma sociedade incapaz de proteger os mais vulneráveis. A pobreza pode marcar uma vida, mas não deve condená-la. Pode até inaugurá-la, mas não deve concluí-la.

    PLENARY SITTING OF 2026-05-20 · READ THE VERBATIM REPORT

  9. Se alguns escolhem o silêncio e o apagamento, exijamos nós explicações e consequências. Nos 100 anos da dedicatória de Heidegger, lembremos que esta União Europeia nasceu também das cinzas de Auschwitz. E a promessa que fizemos aos judeus — e, nos judeus, a nós mesmos — é imprescritível: «Nunca mais.» 1-0241-0000

    PLENARY SITTING OF 2026-05-18 · READ THE VERBATIM REPORT

  10. Senhor Presidente, há exatamente um século, em 1926, Martin Heidegger dedicava o seu Ser e Tempo a Edmund Husserl: «Em veneração e amizade.» Anos depois, a dedicatória viria a ser apagada, quando Heidegger escolheu a colaboração durante a longa noite hitleriana. Entre a inscrição e o apagamento, está contida uma parábola sobre a corrupção moral do espírito e das instituições, onde o antissemitismo encontrou não repúdio, mais legitimidade. Na Alemanha nazi, o antissemitismo não chegou ao arrepio das universidades e do seu prestígio, mas pela sua mão. E, pela mesma mão, ei-lo de volta. Na Universidade de Coimbra, em Portugal, na sequência do 7 de Outubro, um estudante judeu-israelita denunciou uma atmosfera de hostilidade antissemita, forçando-o a abandonar o doutoramento e Portugal por razões de segurança.

    PLENARY SITTING OF 2026-05-18 · READ THE VERBATIM REPORT

  11. A Europa, confrontada com o aumento da violência política por parte destes movimentos, não pode ficar à margem de uma condenação pública e legal deste tipo de intolerância. No fundo, tudo regressa ao essencial: a defesa da vida e da dignidade humana. 1-0332-0000

    PLENARY SITTING OF 2026-03-25 · READ THE VERBATIM REPORT

  12. Senhora Presidente, no passado sábado, em Lisboa, deu‑se o encontro quase trágico entre duas conceções da vida humana. De um lado, uma marcha pela vida, pacífica, familiar, marcada pela presença de crianças e pela afirmação de que cada vida humana, mesmo a mais invisível, possui um valor próprio. Do outro, a negação dessa vida como valor, expressa de forma violenta através do lançamento de um cocktail molotov sobre essa mesma manifestação. Contraste claro e inquietante: de um lado, a criança, nascida ou por nascer, símbolo de promessa e dignidade; do outro, o fogo, instrumento de destruição lançado contra crianças. Um ato destes exige uma resposta firme. Em Portugal, o partido Chega já propôs a classificação do movimento Antifa como organização terrorista, à imagem do que aconteceu nos Estados Unidos.

    PLENARY SITTING OF 2026-03-25 · READ THE VERBATIM REPORT

  13. Eu não lhe dou lições de moral, portanto, não me dê lições de moral a mim. O vosso problema é que vocês acham que todas as virtudes são vossas e os outros são todos os pecadores. Vocês não têm virtudes e a História demonstra mesmo que vocês têm mesmo muito poucas virtudes. E, quando pedir desculpa pela História, continuamos a falar. 3-0455-0000

    PLENARY SITTING OF 2026-03-11 · READ THE VERBATIM REPORT

  14. – Quero utilizar o direito de resposta para dizer ao senhor deputado Tiago Moreira de Sá que é óbvio que repudio a morte de qualquer jovem. Repudio a morte de qualquer jovem e acho deplorável que a morte de um jovem seja instrumentalizada para este exercício de branqueamento político que o senhor deputado e o seu grupo político e todos os outros grupos de extrema‑direita estão a fazer. Os senhores não estão preocupados com o jovem que morreu. Estão preocupados em limpar a vossa consciência e as vossas responsabilidades por promoverem a violência organizada. E os exemplos que eu lhe dei de Portugal respondem por si. Desminta‑me, se for capaz, em relação a cada um dos exemplos que lhe dei. 3-0454-0000 Tiago Moreira de Sá (PfE), Reação «cartão azul». – Senhor deputado, não faça processos de intenção, não tem melhor coração do que eu.

    PLENARY SITTING OF 2026-03-11 · READ THE VERBATIM REPORT

  15. Há uns meses a Polícia Judiciária desmantelou uma milícia armada que se estava a preparar para constituir um partido de extrema‑direita. Este debate não é o debate sobre a morte de um jovem. Os senhores estão a aproveitar a morte daquele jovem para branquearem a violência institucionalizada da extrema‑direita. E o senhor deputado é cúmplice dessa tentativa de branqueamento. 3-0452-0000 Tiago Moreira de Sá (PfE), Resposta segundo o procedimento «cartão azul». – O senhor deputado bateu na porta errada, porque eu não defendo o Estado Novo. Agora, eu quero saber se o senhor deputado repudia ou não a morte deste jovem e se repudia ou não os crimes do Estalinismo, que mancharam de sangue o século XX. Isso é que eu gostava de saber. 3-0453-0000 João Oliveira (The Left), Reação «cartão azul».

    PLENARY SITTING OF 2026-03-11 · READ THE VERBATIM REPORT

  16. Porque fazer política para quem acredita na virtude das botas, não é outra coisa senão exercer violência. Não é debater nem votar, mas esmagar fisicamente. Para eles, fazer política é, na célebre expressão de Orwell, cravar uma bota em cima de um rosto humano para sempre. (O orador aceita responder a uma pergunta «cartão azul») 3-0451-0000 João Oliveira (The Left), Pergunta segundo o procedimento «cartão azul». – Senhor Deputado Tiago Moreira de Sá, durante 48 anos, o regime fascista português perseguiu, prendeu, torturou e assassinou comunistas e outros democratas. Depois do 25 de abril, foi o Partido Comunista Português que teve as suas sedes assaltadas, incendiadas, os seus militantes assassinados a sangue‑frio.

    PLENARY SITTING OF 2026-03-11 · READ THE VERBATIM REPORT

  17. Senhor Presidente, Senhor Comissário, no mês passado em Lyon, um jovem de 23 anos, Quentin Deranque, foi pontapeado até à morte por militantes de extrema‑esquerda. Rapidamente, os ingénuos úteis do antifascismo vieram tranquilizar‑nos: foi apenas um caso isolado de desacatos entre militantes da extrema‑direita e humanistas de esquerda. Nada de especial. Podemos voltar todos para casa descansados. Historicamente, a extrema‑esquerda sempre teve este duplo talento: pontapear adversários e encantar ingénuos. Mas as botas de Lyon não surgiram do nada. Fazem parte de uma longa história de violência política. Da Revolução Francesa à Revolução Bolchevique. Dos campos de concentração de Trotsky à grande purga de Estaline. Do Grande Salto em Frente à Revolução Cultural de Mao. Dos campos da morte no Camboja aos Antifas dos nossos dias.

    PLENARY SITTING OF 2026-03-11 · READ THE VERBATIM REPORT

  18. Acreditamos na ordem e na segurança, mas também acreditamos na liberdade de expressão e no pluralismo. Se começarmos a tratar convicções políticas como ameaças de segurança, estaremos a enfraquecer precisamente os valores que pretendemos proteger. Em 1943, num discurso em Harvard, Churchill avisou-nos: «Os impérios do futuro serão os impérios da mente». Proteger a Europa não pode significar policiar o pensamento. A segurança deve servir a liberdade, nunca substituí-la. 1-0241-0000

    PLENARY SITTING OF 2026-03-09 · READ THE VERBATIM REPORT

  19. Senhor Presidente, a segurança dos cidadãos europeus é uma prioridade inegociável. O combate ao terrorismo exige determinação, cooperação e meios eficazes. Mas é precisamente por valorizarmos a segurança que devemos também defender os princípios fundamentais das nossas democracias. O novo projeto ProtectEU, apresentado pela Comissão Europeia, levanta uma preocupação séria: a expansão do conceito de combate ao terrorismo para territórios cada vez mais vagos, incluindo o campo das ideias e das convicções políticas. Uma coisa é combater redes terroristas reais, outra, muito diferente, é criar mecanismos que possam confundir dissidência legítima ou críticas às instituições europeias com radicalização. A História ensina-nos que quando o poder político começa a vigiar ideias, abre-se um precedente perigoso.

    PLENARY SITTING OF 2026-03-09 · READ THE VERBATIM REPORT

  20. Se quisermos compreender a força transformadora da educação, na vida dos indivíduos e na própria civilização, basta lembrar esse dia de outono em que um rapaz pobre, descalço, gago e corcunda, atravessou a Porta de Rosenthal para se tornar Moses Mendelssohn. A educação é tudo. A educação é civilização. A educação é a condição de cumprimento da mais bela verdade autoevidente de sempre: a de que todos os Homens são criados iguais. 3-0353-0000

    PLENARY SITTING OF 2026-02-11 · READ THE VERBATIM REPORT

  21. Senhora Presidente, Senhora Comissária, no outono de 1743, um rapaz de catorze anos, pobre e descalço, gago e corcunda, entrava em Berlim pela Porta de Rosenthal, o portão da muralha da cidade reservado ao gado e aos judeus. Conta-se que o porteiro lhe perguntou, com desdém, o que vinha fazer à cidade: «Contrabando?» O pequeno pobre respondeu apenas: «Aprender». Assim entrou em Berlim aquele jovem que só queria aprender. Menos de duas décadas depois, viria a ser um dos maiores filósofos da Europa iluminista. O rapaz que despertara desprezo a um fiscal de gado tornar-se-ia digno da admiração de Kant.

    PLENARY SITTING OF 2026-02-11 · READ THE VERBATIM REPORT

  22. Is your group here in the Parliament also going to face up to that fact, or are you only going to talk about the need for money, the need for solidarity between us when the events happen? Are you going to face up to reality? 2-0022-0000 Tiago Moreira de Sá (PfE), Resposta segundo o procedimento «cartão azul». – Senhora deputada, não respondo pelos soberanistas, mas, no meu caso concreto, já disse aqui várias vezes, acho que uma coisa é a posição que nós temos em relação às alterações climáticas e aí não estamos em desacordo, estamos de acordo. Outra questão são as políticas que nós adotamos para enfrentar esse fenómeno, tendo em conta também a realidade económica dos diferentes países. Essa é a nossa principal divergência, no meu caso pessoal, e esta é uma posição que me vincula a mim.

    PLENARY SITTING OF 2026-02-10 · READ THE VERBATIM REPORT

  23. – A resposta fácil e rápida é: não estou de acordo. Agora, acho que é uma simplificação colocar isso em termos de público e privado, é uma coisa muito mais complexa. Creio, no entanto, que aquilo que ficou evidente é que o que falhou essencialmente foi mesmo o Estado e é aí que nós devemos agir como atores políticos. Devemos agir privilegiadamente. Não me parece que pôr a culpa nos privados seja, de facto, um retrato fiel do que aconteceu, nem sequer a solução. 2-0021-0000 Stine Bosse (Renew), blue-card question. – I really feel sorry for everything that has happened in your country. Now, your colleague – or our colleague – from ESN stated absolutely no facts in saying that it was not shown in data that climate is actually changing and that these severe weather events are going to increase.

    PLENARY SITTING OF 2026-02-10 · READ THE VERBATIM REPORT

  24. Está ou não está de acordo que é preciso termos empresas públicas no setor da energia, dos transportes, das telecomunicações para não assistirmos àquilo que estamos a assistir de empresas privadas que, para terem mais lucros, prescindiram da capacidade de resposta que deviam ter e hoje deixam as populações desprotegidas na garantia do acesso quer à energia, quer às comunicações, quer a transportes que são absolutamente essenciais? Está ou não está de acordo que o Estado tem de ter um papel mais interventivo, por exemplo, em relação às questões da construção civil? Porque sem uma intervenção do Estado a partir de empresas e setores estratégicos, não é possível ter uma resposta mais rápida quando o Estado faz «...» (a Presidente retira a palavra ao orador) 2-0020-0000 Tiago Moreira de Sá (PfE), Resposta segundo o procedimento «cartão azul».

    PLENARY SITTING OF 2026-02-10 · READ THE VERBATIM REPORT

  25. Mas é preciso não esquecer que um Estado revela a sua grandeza na forma como se inclina sobre a dor daqueles que tem ao seu cuidado e no modo como reconstrói esperança e vidas. Charles de Gaulle, a quem devemos tanto nesta casa, tinha uma frase lapidar: «Um Estado que não protege os seus cidadãos deixa de cumprir a sua razão de existir». (O orador aceita responder a várias perguntas «cartão azul») 2-0019-0000 João Oliveira (The Left), Pergunta segundo o procedimento «cartão azul». – O Senhor Tiago Moreira de Sá fez aqui uma crítica ao Estado e à dificuldade da resposta do Estado e as perguntas que lhe quero fazer são muito diretas.

    PLENARY SITTING OF 2026-02-10 · READ THE VERBATIM REPORT

  26. Como relator‑sombra da Comissão DEVE para o relatório ENVI-SANT, relativo ao Mecanismo de Proteção Civil da UE, sei bem que a União Europeia dispõe de um quadro completo de respostas a catástrofes, incluindo o Mecanismo de Proteção Civil, o Fundo de Solidariedade da União, os mecanismos operacionais do rescEU e os mecanismos de flexibilidade de reprogramação do PRR em situações de emergência. Ao mesmo tempo, importa dizê‑lo, a emergência dos apoios europeus tem de ser mais rápida, mais eficaz e menos burocrática. Quando as populações precisam de ajuda imediata a resposta não pode ficar refém de burocracias, procedimentos lentos ou calendários administrativos. Esta é a hora de chorar os mortos, honrar os que perderam tudo e amparar os que ainda lutam para não perder o pouco que lhes resta.

    PLENARY SITTING OF 2026-02-10 · READ THE VERBATIM REPORT

  27. Senhora Presidente, Senhora Comissária, a tempestade Kristin e a depressão Leonardo vieram confirmar uma realidade incómoda. O Estado português falha sempre que é posto à prova. Foi assim nos incêndios, repetiu-se no apagão e voltou a acontecer agora: desorganização no terreno e populações deixadas sem apoio adequado. O Governo só tardiamente acionou o Fundo de Solidariedade da União Europeia e deixou por tentar o recurso a vários instrumentos europeus que os Estados‑Membros têm à sua disposição para ajudar, direta ou indiretamente, neste tipo de situações.

    PLENARY SITTING OF 2026-02-10 · READ THE VERBATIM REPORT

  28. Mas não precisamos de acordos ingénuos que abram mercados sem proteger os trabalhadores europeus, nem de discursos bonitos que ignorem a corrupção, a falta de transparência ou as redes ilegais que exploram a fragilidade humana. A União Europeia não pode abdicar do controlo das suas fronteiras e, ao mesmo tempo, fechar os olhos à imigração ilegal, aos abusos nos vistos ou às máfias que lucram com a fragilidade dos sistemas. Uma Europa forte não é a que se ajoelha, é a que coopera de pé, com regras, com dignidade e com coragem. 3-0331-0000

    PLENARY SITTING OF 2026-01-21 · READ THE VERBATIM REPORT

  29. Senhora Presidente, Senhora Comissária, no livro O mundo pós‑americano [e a ascensão do resto], Fareed Zakaria coloca a Índia, a par da China e da Rússia, como uma das potências em ascensão de poder no sistema internacional. A relação entre a União Europeia e a União Indiana deve assentar no reconhecimento de que a Índia é, de facto, cada vez mais uma grande potência mundial, com a maior população do mundo, uma economia em crescimento há décadas e umas forças armadas cada vez mais poderosas. Mas as parcerias fortes fazem‑se entre Estados com interesses próprios, que se respeitam, e não entre elites que fingem não ver os problemas. Precisamos de comércio, sim. Precisamos de cooperação estratégica também.

    PLENARY SITTING OF 2026-01-21 · READ THE VERBATIM REPORT

  30. A primeira reduz o humano à obediência animal; a segunda nasce da consciência de que os humanos não são animais. Quando os povos se levantam, não entram imediatamente no paraíso. Levantam-se, antes de mais, para saírem do inferno. E os tiranos sabem que, de todos, esse primeiro passo é o mais temível.

    PLENARY SITTING OF 2026-01-19 · READ THE VERBATIM REPORT

  31. Senhor Presidente, há momentos em que o poder acredita ter parado o tempo. A tirania vive dessa ilusão: parecer eterna, inevitável, natural. Mas o ser humano não nasceu para aceitar o que o nega. Como escreveu Albert Camus, «o homem revolta-se quando diz não», e nesse «não» está já contido um «sim» à dignidade. Vemos esse «não» que é um «sim» no povo venezuelano, espalhado pelo mundo, celebrando a queda do tirano. Não é por acaso que os venezuelanos dançam: é o corpo a romper o feitiço da submissão. Vemos esse «não» que é um «sim» no povo iraniano, nas ruas de um país que é um imenso cárcere travestido de regime político. Quase meio século de terror não foi suficiente para domar o povo persa. Entre tirania e liberdade há sempre um abismo moral.

    PLENARY SITTING OF 2026-01-19 · READ THE VERBATIM REPORT

  32. Por mais que insistam em transformar a nossa história numa gaiola penitencial, Portugal é uma imensa aventura do espírito — demasiado indomável na sua memória e na sua dignidade, para se deixar capturar em pleno voo. 1-0264-0000

    PLENARY SITTING OF 2025-12-15 · READ THE VERBATIM REPORT

  33. Senhor Presidente, num dos aforismos de Zürau, Franz Kafka escreveu: «Uma gaiola partiu em busca de um pássaro». Hoje, essa imagem insólita descreve bem certas teorias que vagueiam pelo mundo à procura de culpas antigas para justificar penitências presentes. Em nome de uma moral pós-colonial simplista, pretendem reduzir a história de Portugal — e da Europa — a um tribunal permanente de acusação. Aprisionam o passado na culpa, o presente na vergonha e o futuro na penitência. Esta lógica não dignifica ninguém. Nem os portugueses e os europeus, instados a renegar a sua memória, nem os povos outrora colonizados, tratados como eternas vítimas, incapazes de responsabilidade e autonomia histórica. A verdadeira amizade entre povos funda-se no respeito mútuo, não na humilhação ritual, seja de quem for.

    PLENARY SITTING OF 2025-12-15 · READ THE VERBATIM REPORT

  34. A mulher não foi criada para desaparecer, mas para ser vista e celebrada. Porque ver é o gesto inaugural do reconhecimento da igualdade humana. 1-0251-0000

    PLENARY SITTING OF 2025-11-24 · READ THE VERBATIM REPORT

  35. Senhora Presidente, num muro de Kandahar, no Afeganistão, a artista Malina Suliman pintou um esqueleto envolto em azul, uma mulher reduzida a ossos sob uma burca — porque a burca não protege, sepulta, é o sudário da condição feminina, a lápide móvel do rosto proibido de existir. Nenhum homem é ensinado a temer o olhar alheio. Apenas a mulher aprende que o seu corpo é culpa e que a penitência é desaparecer. Sob o véu desta teologia do apagamento, a mulher perde o direito de aparecer. Hannah Arendt chamou lhe «o espaço de aparição», o direito de aparecer no espaço público, de existir entre iguais. Proibir a burca em espaços públicos, como aconteceu em Portugal, por iniciativa do partido Chega, não é intolerância cultural, é resistência civilizacional. A democracia exige rostos, não espectros.

    PLENARY SITTING OF 2025-11-24 · READ THE VERBATIM REPORT

  36. Agora, ao celebrarmos em Luanda os 25 anos da parceria União Europeia‑África, recordemos que esquecer esse corpo comum é perder a própria alma. Esquecer a carne de África é perder a alma da Europa. 2-0636-0000

    PLENARY SITTING OF 2025-10-21 · READ THE VERBATIM REPORT

  37. Senhor Presidente, Portugal e a Europa têm África na sua carne. Não apenas nos mapas, nas rotas do comércio ou nos tratados da diplomacia, mas nas veias, no sangue, na memória viva do nosso ser coletivo. Álvaro de Campos escreveu sobre as «naus antigas», os «portos de África» e os «ventos do Sul» que sentia na sua carne. Como o poeta, sentimos África na nossa carne, porque o nosso destino se cruzou com o dela, nas dores, nas esperanças, nas trocas e nas promessas. Por isso, para nós, África é muito mais do que um continente rico em recursos ou um palco da disputa entre as grandes potências. E é, por isso, que quando, na Nigéria, em Moçambique ou no Congo, cristãos são perseguidos e mortos, uma ferida se abre no nosso corpo comum.

    PLENARY SITTING OF 2025-10-21 · READ THE VERBATIM REPORT

  38. A liberdade está a chegar à Venezuela com o rosto de uma mulher que tem, na mão direita, o Prémio Nobel da Paz e, na mão esquerda, o Prémio Sakharov. 1-0199-0000

    PLENARY SITTING OF 2025-10-20 · READ THE VERBATIM REPORT

  39. Senhora Presidente, desde os primórdios, os homens sonharam a liberdade com o rosto de uma mulher. Não é por acaso. O feminino contém a alquimia do mundo: a ternura que consola, a fúria que liberta, a paciência que não conhece rendição, a beleza que não consente senhor. Ela foi Atena nos mármores, Joana d'Arc nas chamas, Marianne nas barricadas e a colossal liberdade em bronze iluminando os exilados. Antes de todas e em cada uma delas, ela foi Antígona, enfrentando as ordens absurdas dos homens. Hoje, a chama da liberdade arde de novo numa Antígona sul americana: María Corina Machado. Porque só o feminino conserva, perante a morte, o dom da metamorfose da vida: cai, sangra e renasce. Nenhuma tirania lhe sobreviverá.

    PLENARY SITTING OF 2025-10-20 · READ THE VERBATIM REPORT

  40. Hoje, cada um de nós pode ainda escolher o lado em que está no combate contra o anti-semitismo. O que não podemos escolher é o lugar que a história reserva para nós, ou contra nós, para toda a eternidade. 2-0423-0000

    PLENARY SITTING OF 2025-10-07 · READ THE VERBATIM REPORT

  41. Senhor Presidente, hoje, no segundo aniversário do 7 de outubro, a Europa enche-se de manifestações, não para lembrá-lo, mas para apagá-lo, não para recordar as vítimas, nem para exigir a libertação dos reféns ainda em Gaza, mas para ignorá-los. A Europa está de novo doente, da mesma infeção moral que há menos de um século conduziu à perseguição e ao extermínio dos judeus. Na Europa do nunca mais, os judeus, para não terem de partir, voltam a esconder-se, e os que não querem esconder-se voltam a partir. Assistimos, diariamente, à inversão do holocausto, à apropriação miserável do sofrimento do povo judeu para acusar os próprios judeus. A Europa entrega-se, hoje, de novo, às suas duas paixões prediletas: a condolência e a condenação. Adora exibir condolências por judeus mortos e condenar os judeus que se recusam a morrer.

    PLENARY SITTING OF 2025-10-07 · READ THE VERBATIM REPORT

  42. A Europa, filha da lenta aprendizagem da dignidade humana, não pode consentir também a traição a si mesma, minando a confiança dos cidadãos e nos cidadãos. Sem essa confiança, a própria ideia de democracia perde o seu sentido. 1-0195-0000

    PLENARY SITTING OF 2025-10-06 · READ THE VERBATIM REPORT

  43. Senhora Presidente, o economista austríaco Friedrich August von Hayek lembrava que «o caminho para a servidão» não se abre com golpes súbitos, mas com pequenas concessões aparentemente inofensivas em nome de bens hipotéticos. O chamado chat control, a pretexto da proteção das crianças, ameaça tornar-se uma distópica máquina de vigilância em massa que, em nome do bem, converte todos os cidadãos em suspeitos. Ao varrer mensagens antes da encriptação, reedita em versão digital aquilo que os regimes totalitários praticavam com meios analógicos: a intromissão sistemática na vida íntima de inocentes, presumindo a sua culpa antecipada e multiplicando falsos positivos. Não menos grave é a sua duvidosa compatibilidade com os artigos 7.º e 8.º da Carta dos Direitos Fundamentais da União, cuja salvaguarda está longe de se encontrar garantida.

    PLENARY SITTING OF 2025-10-06 · READ THE VERBATIM REPORT

  44. Contudo, no combate tanto às ondas de calor como aos incêndios, persistem atuações negligentes e omissões políticas que colocam em risco a nossa segurança e bem-estar. A União Europeia não deve impor regras uniformes, como diz o elementar princípio da subsidiariedade, mas sim apoiar os 27 países para que liderem políticas eficazes, respeitando as suas particularidades e garantindo a proteção dos cidadãos mais expostos. Precisamos, acima de tudo, de liderança e de ação, pois, como escreveu Dante, «as leis já existem, mas quem as aplica?». (O orador aceita responder a uma pergunta «cartão azul») 4-0066-0000 Christophe Clergeau (S&D), question «carton bleu». – Merci, Monsieur le député, d'accepter ma question. Je voudrais comprendre quelque chose.

    PLENARY SITTING OF 2025-09-11 · READ THE VERBATIM REPORT

  45. Senhor Presidente, a Europa enfrenta ondas de calor cada vez mais intensas, com impactos significativos na saúde pública, sobretudo entre os grupos mais vulneráveis, como os idosos, as crianças e os doentes crónicos. Isto acontece em Portugal, onde também tivemos a maior vaga de incêndios de toda a Europa, o que evidenciou ainda mais a insuficiente proteção às populações. Aproveito a ocasião para prestar uma homenagem às vítimas dos incêndios deste verão em Portugal e aos bombeiros portugueses, os verdadeiros heróis nacionais. É imperativo que os Estados-Membros assumam a responsabilidade de responder a estes desafios, desenvolvendo soluções adaptadas às especificidades culturais e sociais de cada país. A eficácia das medidas depende da sua adequação ao contexto local.

    PLENARY SITTING OF 2025-09-11 · READ THE VERBATIM REPORT

  46. É absolutamente indispensável a despolitização e a des-wokização das instituições académicas, desde há muito capturadas pela militância política. Só assim as universidades cumprirão a sua promessa de serem espaços de luz, não masmorras de militância, templos da razão, não trincheiras da ideologia. 4-0029-0000

    PLENARY SITTING OF 2025-09-11 · READ THE VERBATIM REPORT

  47. Senhor Presidente, «a educação é tudo. Não precisamos de pequenas mudanças, precisamos de mudanças gigantescas, monumentais. As escolas deviam ser palácios, a competição pelos melhores professores devia ser feroz.» Estas palavras da série The West Wing lembram-nos que a educação não é um edifício como os outros. Deve erguer-se como um palácio: com alicerces de cooperação que somam forças, e colunas de competitividade que apuram a excelência. Por isso, concordamos, por princípio, com alianças entre universidades que funcionem como verdadeiros monumentos do saber europeu, capazes de competir com o resto do mundo: dos Estados Unidos ao Reino Unido, passando cada vez mais pela própria Ásia. Mas nenhum palácio resiste se for ocupado e capturado por ideologias dedicadas a demolir palácios.

    PLENARY SITTING OF 2025-09-11 · READ THE VERBATIM REPORT

  48. E ela está a surgir – a Comissão Europeia já retirou a diretiva das Green Claims, mais um delírio legislativo ambientalista, sem base científica nem impacto prático. Estas são vitórias da Direita – conservadora e realista – que defende um novo paradigma: menos ideologia, mais resultados. Em vez de chorarmos a saída de cena da USAID, deveríamos seguir o conselho de Margaret Thatcher: «Não sigas a multidão, deixa a multidão seguir‑te». A Europa deve liderar – com soluções próprias, parcerias bilaterais sérias com governos e atores locais, bancos de desenvolvimento multilaterais mais ativos, fundos bem aplicados e foco total em resultados e prestação de contas. Chega de financiar discursos doutrinários. Está na hora de financiar impacto. Está na hora de exigir responsabilidades e não mera retórica. 3-0487-0000

    PLENARY SITTING OF 2025-07-09 · READ THE VERBATIM REPORT

  49. Senhor Presidente, no mês passado, o Plenário do Parlamento Europeu rejeitou o relatório que visava a Conferência de Sevilha. Foram 340 eurodeputados contra, 282 a favor. Uma nova maioria política percebeu que aquilo que muitos fingem não ver: o modelo atual de financiamento ao desenvolvimento está esgotado. A Conferência de Sevilha terminou com mais promessas vagas e uma declaração genérica, o chamado «Compromisso de Sevilha», onde se repete tudo e se compromete pouco. Enquanto isto, o Tribunal de Contas da União Europeia continua a alertar que há graves falhas na forma como os fundos europeus são atribuídos a ONG, muitas vezes sem critério, nem consequências visíveis. É preciso coragem para dizer «basta».

    PLENARY SITTING OF 2025-07-09 · READ THE VERBATIM REPORT

  50. Fez o que muitos antes dele temeram fazer: agiu. Com coragem e precisão. Não escalou a guerra: conteve‑a. Não aumentou o risco de escalada: travou‑o. E, ao fazê‑lo, salvou mais do que uma região: salvou um mundo de possibilidades. 1-0184-0000

    PLENARY SITTING OF 2025-07-07 · READ THE VERBATIM REPORT